NOC — Capítulo 2 —
Verdades e desafios
Patrícia
despertou de seu sono pesado com uma errônea preguiça matinal. Bem, não tão
matinal assim. Olhou para o relógio na cabeceira de sua cama e deparou-se com
os gritantes 14h30min no painel a avisar que após o Natal, seu corpo realmente
não pensava muito em acordar.
Com
uma mão em sua boca, a tampá-la para bocejar, a ruiva ajeitou-se entre os
espessos cobertores e chutou os sapatos sobre o tapete logo abaixo, a erguer os
braços seguidamente para espreguiçar-se. Seus olhos inchados das horas de sono
encararam a bagunça do quarto 09, surpreendendo-a com o furacão desordenado que
irrompeu em seu cômodo durante a festa. E, então, ela se lembrou.
Russo, russo. Maldito seja
tu, homem. Sua
boca desfaleceu em um sorriso maravilhado e repleto de nostalgia ao
relembrar-se do que ocorreu em sua conturbada passagem de tempo junto ao homem
de cabelo cinza, pelas noites de Londres. Merda,
merda! Ele realmente me beijou, porra!!!
E
assim, Patrícia caiu de sua cama.
Do
modo mais elegante possível.
Após
a portuguesa escovar seus dentes e completar sua higiene matinal-tarde,
vestiu-se com uma larga camisola de lã e trançou seus longos fios avermelhados
rumo às costas, destinada a encarar o NOC de cabeça erguida. Havia certa
coragem em seu interior depois de enfrentar os lábios perigosos de Johnny.
Ao
abrir a porta, Patrícia sentiu o doce perfume de comida a irradiar na direção
da cozinha central do prédio. Agraciada pelo conhecido cheiro de frango frito e
batatas, a garota andejou pelos corredores como se o alimento guiasse seu
corpo. O que a ruiva não sabia, no entanto, era que ao chegar ao lugar de
destino, se depararia com o mesmo quartel-general de pessoas da ceia de natal.
Espalhados da cozinha à sala do quadro acrílico, os moradores do NOC
enfrentavam uma fila desumana, todos com seus pratos e talheres em mãos. Alguém
tomava posse do fogão. Eles aguardavam o almoço.
—
Boa tarde, Pati! –a voz simpática de Jess gritou, assustando a adormecida
portuguesa.
—
Oh, olá, Jess! –ela cumprimentou, reivindicando um lugarzinho junto a pequena
loia. — O que está a acontecer?
—
Charlie está a cozinhar. –sorriu abertamente, apontando sobre as dezenas de
ombros à sua frente. — Ora, não a vi chegar com o russo ontem. O que ocorreu? –perguntou-a,
com certa malícia em seu tom.
Patrícia
sentiu o rosto corar, mas manteve-se em segredo.
—
Esperamos que a neve parasse de cair antes de retornarmos ao prédio. Johnny não
gostava de molhar a moto.
— A
verdade logo chegará, Pati. –Jess citou, apertando os olhos em desconfiança.
Patrícia ficou desentendida.
—
Meninos para um lado, meninas para o outro! –o timbre divertido de Charlie
ecoou pelo corredor, alertando. — Temos para todos, mas estou liberando acesso
às garotas primeiro!
—
Injustiça! –gritou Bob, o morador do quarto 5. Charlie colocou ambas as mãos na
cintura, encarando-o de sobrancelhas unidas.
—
Você não tem que sentir sangue sair de você todo o mês, tem? –perguntou-o,
desafiadora. Patrícia e Jess puseram-se a rir. Bob negou. — Então cale a boca.
Meninas, andem a frente! –gesticulou, chamando-as.
—
Bem, lá vamos nós. –a portuguesa puxou a pequena amiga da multidão, seguindo
caminho em companhia as outras meninas do prédio. Rodeando os olhos pelas filas
formadas, a ruiva sentiu falta de alguém. — Onde está a brasileira?
—
Que brasileira? –Jess rebateu.
— A
de cabelos cacheados. Que anda com o italiano gostoso.
—
Amy? Eu não a vi. Deve estar de ressaca no quarto 08. O italiano e ela beberam
tanto! Logo após tu sair com Johnny, eles propuseram um jogo de bebidas que
envolveu um Hiddleston irritado e uma Charlie sorridente. O que eu posso dizer
é que para não ouvir um ao outro falar, eles beberam muito. Tom quis batê-lo.
Algo me diz que o italiano estava a galantear a Charlie.
Patrícia
abriu a boca em surpresa.
— É
louco, ele?! –indignou-se, embora divertisse-se. — Jay estava a flertar com a
Charlie? Em frente ao Hiddleston?
— É
o que estou a dizer. Ao que me parece o gostoso é tão ousado quanto lindo. –Jess
riu, a apanhar um prato sobre a mesa e entregar a amiga. Pati o recebeu. — Sabe
o que acho? Que há alguma história entre eles.
—
Eles? –Patrícia indagou.
—
Italiano, Hiddleston. Eles se conhecem, isso eu sei. Apenas não sei o que os
ocorre.
— E
dizem que o encrenqueiro daqui é o russo. Este italiano o enfrenta sem pudor. –a
ruiva comentou, esticando o braço rumo às panelas postas por Charlie, repletas
de alimento. Lambeu os lábios. — Uuuh! Charlie se esforçou.
— Ela
é sempre um amor conosco. –Jess serviu-se logo atrás da amiga. — E cozinha tão
bem.
— Realmente.
Onde está Hiddleston, afinal? Ele sempre ajuda a mulher.
—
Acho que levou Hamish de volta a casa deles. –disse. Patrícia murmurou em
concordância, arrastando-se em direção ao prato de salada. Alfaces, tomates,
ervilhas. Charlie parecia ter feito especialmente a ela.
Quando
as duas calcorreavam em busca de um local para sentar-se e comer, ambas avistaram
a figura despenteada do italiano descendo as escadas, vestindo nada mais que
uma calça moletom branca e uma camisa azul-marinho que expunha seus braços
musculosos. Jess entortou os olhos, aprazida. Pati, um pouco mais esperta,
direcionou as íris sobre sua calça.
—
Buongiorno, belíssimas. –cumprimentou-as, de voz rouca. Jess suspirou. Pati
arqueou a cabeça de volta ao semblante do homem.
—
Buongiorno, senhor. –a portuguesa gracejou, sorrindo-lhe aberto. — Servido? –apontou
ao prato.
O
italiano semicerrou as pálpebras em atenção ao alimento, sem saber o quão
quente parecia quando o fazia.
—
Quem cozinhou? –questionou ele.
—
Charlie. –Jess interpôs.
Ele
entortou os lábios rosados num riso galanteador.
— De
repente deu-me um apetite. –falou ele, cafajeste. — Ela me parece muito tímida.
— É
porque ainda não a viu se soltar. –Patrícia avisou. — Quando entra no grupo,
ela se torna a pessoa mais divertida que conheces.
—
Tentarei atingir esse lado dela em breve. –prometeu ele. — Enquanto isso, por
que não sobem e conversam com Amy? Ela guardou alguns chocolates para vocês
duas.
—
Para nós? –Patrícia espantou-se, pois a brasileira recém-chegada sequer havia
trocado um par de palavras consigo.
— Contei
a ela que tu és uma boa cozinheira e que tive o prazer de dividir a cozinha
contigo. Ela está louca para conhecê-la. –explicou. — Mas tome cuidado. Às
vezes pode-se achar que ela está a flertar contigo.
—
Ela é bissexual? –Patrícia abriu-se num riso.
—
Ela só gosta muito de sexo. Como eu. –piscou-lhe o olho direito, afastando-se
pela cozinha. — Talvez possamos marcar algo mais tarde, se isso lhe agrada.
Patrícia
e Jess se entreolharam e depois olharam o homem partir, sem saber o quanto seu
traseiro redondo chamava as suas atenções. A ruiva sacodiu a cabeça, buscando
livrar-se dos pensamentos pecuniosos e Jess, entretida, desejou apalpá-lo todo
algum dia, em um futuro próximo. Sem Peter saber, obviamente.
—
Eu acho que é por isso que Thomas odeia ele. –Patrícia opinou, virando-se
bruscamente. Seu rosto colorava-se em vermelho. — Intrometido. Pervertido.
Audacioso. Confiante demais. E gostoso pra porra. Porra!
Rindo
descontroladamente, as duas finalizaram seus almoços.
— Eu...
é melhor irmos ver a Amy. –Jess engasgou-se de novo, a puxar a mão da
portuguesa.
Juntas,
subiram as escadas rumo ao andar do quarto onde Patrícia vivia e, logo em
frente, no quarto 08, bateram.
—
Entrem! –uma voz sonolenta as pediu. Jess, um pouco mais íntima da brasileira
do que Pati, pegou a liderança. Ao abrirem o cômodo até então inexplorado,
apanharam-se a observar uma enorme cama de casal com dossel de madeira, lençóis
pretos de seda que, de forma maliciosa, estavam jogados sobre o chão e malas de
roupas sobre um pequenino sofá de dois lugares próximo à janela. Pati pensou em
redecorar o quarto imediatamente. Mas a deixar os pensamentos de design de
interiores, encontrou-se com Amy agachada abaixo do colchão, à procura de algo
que não era possível observar.
Por
outro lado, seu traseiro empinado era bastante evidente.
O filho desses dois deve-se
parecer uma abelha. Quantas bundas. Pati imaginou, sem querer.
—
Chamou-nos? –Jess iniciou.
—
Hm, sim. –grunhiu a moça. — Os chocolates estão sobre a mesinha próxima à
lareira elétrica, meninas.
—
Obrigada! –Jess respondeu, distanciando-se para a mesinha. Como tal dito,
deparou-se com uma caixa decorada em vermelho e roxo, recheada de bombons de
chocolates trufados com cobertura, implodindo seus tamanhos anormais. Patrícia
sentiu a boca salivar.
—
Obrigada... –murmurou a ruiva. — Onde os conseguiu?
— Eu
os fiz. –Amy articulou, pondo-se de pé, então. Coçou a nuca. — Meu filho
participa de algumas ideias estranhas na escola e uma vez tivemos que fazer
ovos de páscoa. Mas meu marido idiota não colocou ingredientes o suficientes e
eles encolheram na forma. Como podem ver, esses bombons não são realmente
bombons. São ovos.
—
Por isso tão grandes! Bem... grandes para o tamanho de um bombom. –justificou a
portuguesa, rindo comovida. — Desculpe-me não ter falado tanto contigo ontem na
ceia. Sou Patrícia, mudei-me para cá no mês passado.
—
Não peça desculpas, acho que mesmo se tivéssemos trocado palavras, não
conseguiríamos. –Amy aproximou-se, cumprimentando-a com um abraço apertado. — O
clima estava louco com Hiddleston por aqui. –a brasileira parecia um pouco
desconfortável. Patrícia encarou-a bem.
— O
que ocorre entre Hiddleston e o italiano? –indagou-a diretamente, sem
procurar-se redimir. Amy gostou da praticidade da nova colega.
A
bela brasileira de olhos redondos suspirou pesadamente, impossibilitada em
falar. Porém, vendo que as duas garotas mais pareciam com ela em segredo e que
a ruiva em sua frente parecia-se anormalmente com sua amiga Trícia, teve
confidência em continuar.
— Eu
me envolvi com Hiddleston há alguns anos atrás. –admitiu, suscitando olhares
arregalados das garotas. — Chegamos a ter um relacionamento bom. Foi logo após
meu rompimento com Jay. Por isso eles se odeiam tanto e eu me sinto perdida
neste prédio com a nova garota de Thomas.
—
Sério?! –Patrícia não se controlou. — Tu e Hiddleston?? Oh my God! Conta-me
isso direito!
Amy
correu as órbitas pelo quarto, fixando-se na figura pequena de Jess a comer
seus bombons.
—
Querem fugir a um bar comigo? Posso contar tudo a vocês após um gole de vodka.
—
Claro! –Pati exclamou, animadíssima. — Venha, Jess! A moça está a me encantar
com ideias de bebidas!
A
portuguesa criou laços com a brasileira por dois motivos óbvios.
1- Ela havia a chamado para
beber logo após oferecê-la chocolate.
2- Sequer era noite. Amy a
chamara para beber de tarde. E isso era ótimo! Sem horas marcadas para bebida!
Por favor, mundo, aprenda!
—
Beber? A esta hora? –a pequena loira inquiriu. Pati, já animada, revirou os
olhos.
—
Não acabe com minha felicidade, Jess. Venha logo! –era a vez da ruiva puxá-la
pelo braço.
—
Vou pegar meu passe para o trem, já volto. –a menina apressou-se, sendo logo
parada por Amy.
—
Relaxem. Vamos de carro. –a brasileira anunciou, piscando divertidamente.
Patrícia
a amou mais depois disto. A moça parecia-lhe ser uma badass. As três, então,
marcharam para o andar de baixo do prédio, onde os moradores ainda
confraternizavam-se a comer loucamente. Amy, a frente delas, sentiu que deveria
chamar Charlie para juntar-se a elas, embora uma história as fizesse separar.
Na noite passada, no entanto, as duas trocaram boas conversas sobre filhos. Mas
Amy não queria limitar-se a esse tipo de assunto. Pareciam duas mulheres
submissas aos trabalhos domésticos. E isso ela não suportava. Submissa apenas no sexo. Esse era o seu
lema.
—
Pegue na bunda do russo. –Amy indicou-a, fazendo Pati gargalhar. — Assim que eu
aproveitar-me dos bolsos de Jay, tu vai e apalpa o Illya.
—
Está a falar sério? –a ruiva indagou.
—
Estou! –riu. — Vamos em um... dois... três!
Amy
abeirou-se junto ao marido, abraçando-o por trás. Com um solavanco de susto,
escorregou as mãos pelo traseiro delicioso do homem que, em resposta, apenas
sorriu torto com a atitude da mulher.
— O
que quer, pirralha? –perguntou ele, sem alterar o tom de voz.
—
As chaves da Ferrari. –explicou ela. Ele apertou as sobrancelhas.
— O
que eu ganho com isso? –rebateu.
—
Você pode me comer do jeito que quiser mais tarde. –mordiscou sua orelha, arfando
de modo que ele somente desejou que o tempo passasse rápido.
—
Estão no bolso de trás. –disse, relutante.
—
Eu sei que estão. –Amy sorriu, sacodindo o chaveiro entre os dedos. Beijou as
costas do companheiro, inspirando seu perfume impregnado na camisa. — Espero
você à noite. Usarei vermelho.
Esse
casal tem maneiras estranhas de fazer acordo.
Há
poucos metros dali, Patrícia cumpria sua missão. O corpo alto e esguio de Johnny,
encostado a pia, observava com seus olhos chamativos o pedaço de carne frita
que cortava. Ela, sem medo, arrastou seus dedos na curva de seu traseiro. Ele
apenas resmungou. A portuguesa, encorajada, juntou as duas mãos e apertou-o fortemente,
sentindo a firmeza de seus músculos em suas palmas.
—
Por acaso acha que escondo alguma arma no rabo? –reclamou Nik, virando-se
abruptamente. — Que diabos está a fazer?
—
Achei propicio. Parabéns, tens um belo traseiro. –provocou a mulher, gargalhando
em satisfação.
O
russo franziu o semblante mal humorado. Com as duas íris verdes intensas,
analisou a expressão de júbilo que a garota fazia em sua frente. Sequer
conseguiu entender a súbita ação depravada.
—
Amélia a ofereceu maconha? –interrogou, inclinando o rosto contra o dela. —
Está sob efeito de drogas ilícitas? –encarou-a nos olhos, procurando sinais de
vermelhidão.
—
Chame minha droga de efeito pós-beijo teu, querido. –gracejou ela.
— Saia
daqui. –rosnou ele, irritado. Patrícia pôs-se a sorrir mais ainda, encantada
com seu desconforto.
—
Até mais tarde, querido. –disse ela, jogando-lhe um beijo no ar. Johnny, sem
entender nada do que ela havia feito, voltou sua atenção para a carne.
Soldados e mafiosos são mais
fáceis de lidar. Pensou ele.
Esse
casal é ainda mais estranho.
Amy,
com as chaves em mão, riu a Patrícia e as duas foram até Jess que conversava
com Charlie.
—
Charlie, quer sair para beber conosco? –a ruiva perguntou a amiga, que
sentiu-se ligeiramente conturbada com o pedido.
—
Beber com vocês? Por que vocês me convidariam para isso? Eu sou um estraga
prazeres de diversão. –a garota sorriu, desacreditada. — E estou com ressaca de
ontem.
— O
melhor modo de curar uma ressaca é bebendo de novo. –Amy citou, fitando-a
descaradamente. Charlie sentiu-se intimidada. Na realidade, a pobre recém-mãe
não estava a lidar tão bem com a presença da outra brasileira no NOC. Não
conseguia encará-la sem lembrar-se de tudo que Thomas a dissera sobre a
ex-namorada. Em como ela era incrível e divertida. Literalmente louca. E muito
atraente.
Charlie
percebeu tudo em pouco tempo. Além da mulher a sua frente ter um corpo que
deixaria qualquer homem louco, tinha como companheiro um homem mais lindo
ainda. A física de fraldas não sentia ciúme. Mas sentia insegurança. Porque
também, ultimamente, os olhos azuis do outro louco a fitavam demais. E isso era
complicado.
—
Bem, podemos conversar. –Charlie assentiu, arrumando-se o melhor que podia em
seu moletom largo. Amy usava calça apertada e camisa justa. Eram opostos.
Ela é gostosa, tenho que
admitir. Charlie
pensou.
Então,
as quatro, saíram. Juntas.
Quando os rapazes deram-se
conta disso, houve uma pequena guerra descontrolada no NOC.
Thomas, que chegara poucos
minutos depois, perguntou a todos sobre a mulher perdida. Russo, pouco
amigável, respondeu-lhe:
— Patrícia, Amélia, Jess e
Charlie saíram.
Hiddleston entrou em choque.
— Charlie e Amélia?! –gritou,
exasperado. Apenas esses dois nomes o preocupavam. — O que Charlie está a fazer
com ela?!
— Tem algum problema com a minha mulher, inglesinho? –irritou-se o
italiano, do outro lado.
— Cale a boca! –rosnou o
ator. — Onde elas foram?!
— Eu tenho cara de
perseguidor de mulheres, babaca inseguro? –Jay irrompeu novamente.
— Sim, você tem! –disse
Thomas.
Johnny passou as mãos pelo
rosto, ainda de mau humor. O mau feitio impedia-o de sorrir.
— Vocês parecem duas vadias a
brigar. –reclamou, afastando-se. — Para onde Amy disse que iria, Napoleon?
–perguntou o russo ao dono da Ferrari.
— Não disse. –falou ele. — Um
bar, talvez.
— Um bar?! –o russo
indignou-se, surpreendendo-se com o destino das mulheres. — Em pleno natal? Com
esses aproveitadores infelizes pela cidade? Essa escória inglesa?
— Olhe como fala de nós!
–Thomas interpôs.
— ‘Nós’ um caralho,
Hiddleston. Nasci bem distante daqui. –Johnny rebateu, apanhando a faca que
usava na carne. Colocou-a entre a calça e a cintura. — Vou procurá-las.
— Com uma faca de cozinha nas
calças, sério? –Thomas postulou, a colocar suas mãos na cintura. Fazia a usual
postura de mãe preocupada. Aprendera muito com Charlie desde que Hamish
nascera.
— Você prefere que eu pegue
uma das minhas semiautomáticas para procurá-las? –o russo, de olhos firmes e
felinos, rebateu.
Talvez ele fosse o único
homem do recinto que mais agia do que falava. Deixando os inimigos alheios,
Luchnik marchou ávido de cólera e ódio a porta, agarrando o pobre Peter que
ainda comia. ‘Sua mulher também se juntou a elas. Levante-se, frouxo’,
disse-lhe ameaçadoramente.
Thomas não tardou a juntar-se
aos dois homens, à procura das meninas.
Jay, pouco importando-se,
apenas deu de ombros. Não lhe importava muito o que sua esposa fazia, porque
ele mais do que ninguém sabia bem como a mulher sabia se defender. Mas
interrompendo seu fluxo de paz, visualizou a figura altiva do maldito russo a
retornar e obriga-lo a acompanhá-los. Ou caso contrário, a faca roubada
alcançaria lugares que ele desejava usar apenas com a mulher ausente.
Como eu os odeio. Pensou o italiano.
Enquanto isso, à plena
velocidade de 230 km/h em uma rodovia inglesa qualquer, as garotas sorriam e
cantarolavam uma canção do Foo Fighters –que, coincidentemente, era a banda
favorita do italiano- sem ao menos pensar no quão polêmico estava sendo tratado
o inocente passeio. Amélia se acostumara com seu novo apelido: Amy. Em
retribuição, deu a alcunha de ‘nórdica’ a Patrícia, pois seus cabelos ruivos
assemelhavam-se a de uma deusa do templo de Odin, ou, no singelo caso, uma
viking guerreira dos países celtas. Com animação, Amy encarou Jess e chamou-a
de ‘stellina’, uma versão carinhosa de ‘estrela’ em italiano. Já a pobre
Charlie, que segurava-se firmemente em seu cinto de segurança, desejava apenas
chegar ao bar com vida.
Ela constatara que Amy era
realmente tudo o que Tom dissera. Gostosa, engraçada, louca e aventureira.
Parecia-se muito com uma fusão de Pati e Jess.
Amy, pouco contente com o
silêncio da companheira de seu ex-namorado, suspirou.
— Você precisa se soltar. –a
mulher a recomendou.
— Estou bem, obrigada.
–Charlie disse.
— Você se comporta como uma
freira decadente. –Amy retornou. Charlie fitou-a com antipatia.
— Freira decadente?!
–indignou-se. — Só porque não saio a convidar os outros para beber ou dirijo
uma Ferrari?
Patrícia arregalou os olhos,
a temer uma briga das duas.
— Veja, eu entendo. Não é
necessário gostar de mim. Sei que não é fácil aceitar a amizade de uma mulher
que anos atrás relacionou-se com Tom. Eu entendo.
— Não é por isso. –Charlie
direcionou seu par de olhos brilhantes a outra brasileira. — Realmente não me
importa que foi namorada de Thomas.
— Então o que há contra mim?
–Amy inspirou.
— Você está a roubar minhas
amigas! –Charlie admitiu, rolando suas íris rumo a portuguesa e a pequena Jess.
— E você é como uma... modelo de passarela ambulante com esse seu traseiro
empinado.
Amy colocou-se a rir. A ruiva
e a loira, logo ao lado, caíram numa gargalhada juntas, também. Charlie apenas
torceu o pescoço, fungando seu mau humor.
— Deixa-te de merdas que
ninguém nos roubará de ti! –a portuguesa exclamou, colocando suas mãos em volta
dos ombros encolhidos de Charlie. — Ciúmes, morena? Não acredito!
— Não é ciúmes. É precaução.
–Charlie respondeu.
— Este discurso é do Johnny.
–Jess provocou-a, ainda a rir.
— Tudo bem! –Charlie riu. —
Veja, Amy... posso chamá-la assim, certo? Amy, muitas coisas estão a me
preocupar. Primeiro, tua chegada afetou Thomas. Não a culpo, pois a culpa é
dele. Ele é um maldito sentimental. –iniciou, fazendo as três rirem com o modo
que tratava Hiddleston. — Tu que já namorastes ele deve saber bem como o homem
consegue sentir remorso por uma pedra que pisou.
— Oh, eu sei. –Amy confirmou.
— Sabemos. –Pati juntou-se a
elas.
— Segundo, teu marido está a
me encarar. –olhou para Amy, que dirigia com atenção. — E eu me sinto
intimidada com ele.
— Por quê? –Amy sibilou
naturalmente. — Jay não é perigoso. Ele só gosta de fitar.
— E flertar. –Pati adicionou.
— Ele me chamou para uma orgia contigo. –foi sincera.
— Ele faz isso para provocar
Illya. –Amy a confortou. — E Charlie, Jay não fará nada sem seu consentimento.
Ele está interessado por ti, sim. Sabes por que? Porque você se parece comigo.
— What?? –Pati ressonou. —
Onde Charlie parece contigo?
— Normalmente sou como ela.
Quieta, pensativa, sempre com o rosto dentro de um bom livro. Mas ultimamente
estou elétrica e falo mais do que a própria boca. Eu tenho um transtorno de
humor que faz com que eu me mostre bem humorada num dia e irritada no outro.
–Amy explicou. — E claro que Jay está a provocar Hiddleston também.
A Ferrari estacionou em
frente a um bar de fachada rústica. Assemelhava-se a um bar em meio do deserto,
de placas de madeira em sua face e letreiros iluminados por neon. As quatro
garotas gostaram do lugar.
Pati não se contentou e
sacou-lhe o celular, reservando algumas fotos para postar em seu instagram mais
tarde.
— Vamos conversar enquanto
bebemos. –a ruiva foi a primeira a abrir a porta do esportivo, escorregando-se
junto a motorista para fora. — Mas antes... alguém tire uma foto minha neste
carro?
Jess, a sorrir, tomou o
celular em mãos para fazer o que Pati pedira. Amy encostou-se na lataria,
observando a pequena loira configurando a câmera sobre o rosto sorridente da
portuguesa a fingir que dirigia a Ferrari. Charlie, até então quieta,
gargalhou.
Juntas, pouco mais tarde,
adentraram no bar.
E ao fazerem, olhares
indiscretos dos muitos homens que ali bebiam rodearam-nas com interesse. O ar
cheirava a batatas fritas e cerveja. Algumas luminárias encrustavam as paredes
forradas com papéis de cor neutra e pôsteres de bandas de rock e metal,
vulgarizando o local com um pouco da personalidade selvagem.
Russo gostaria daqui, pensou Pati.
Jay morreria bêbado sobre alguma mesa dessas, Amy imaginou.
Thomas me mata se souber que estou aqui, Charlie refletiu.
Puta que pariu, isso é que é diversão! Jess, sem lembrar-se de Peter, alcançou um assento ao
redor do balcão.
A verdadeira aventureira era
a loirinha.
No outro lado de Londres,
juntos em no Aston Martin Vanquish do irritadiço Johnny Luchnik, juntavam-se
Peter no banco de trás, Thomas ao seu lado, o italiano no banco de passageiro e
o motorista, o mesmo russo dono do automóvel.
E é claro que Johnny
alcançava velocidade entre as ruas.
Mais precisamente 290km/h.
Perigoso.
— Entre na direita! –Peter
gritou, empunhando em mãos um tablet. Em sua tela principal apitava um pequeno
botão vermelho, indicando a movimentação de um carro qualquer.
Não, não era um carro
qualquer.
Era a Ferrari Califórnia de
Jay.
— Pode ir mais devagar em
nome do seu pau? –o italiano reclamou, encarando o russo com furor.
— Não me faça enfiar essa
faca no seu. –Illya respondeu-o pouco amigável. — Se souberem que quatro
mulheres que conheço estão juntas em um carro, as sequestrarão.
— Eu sou filho da máfia,
porra. E sequer estou preocupado com hipóteses de sequestro. –Jay rebateu.
— Sua máfia é uma reunião de
crianças comparada aos idiotas que querem uma chance de me atacar usando meus
colegas. –murmurou.
— O quê?! Estão dizendo que minha mulher corre
perigo? –Thomas alertou-se, estilhaçando sua voz rouca.
— Eles podem ser um pouco
dramáticos. –Peter sussurrou, desviando seus olhos azuis. — Não se importe.
Elas estão bem.
Patrícia despachara o
terceiro homem em trinta minutos.
Tudo estava muito bem,
obrigada. Não era culpa delas se os homens a achavam gostosas.
— Então você se apaixonou por
Thomas e se afastou de Jay por isso? –Charlie perguntou, após os vários minutos
de explicação que Amy a detalhava.
— Exato. –bebericou vodka.
— E tu nunca mais vira
Hiddleston desde que fugiu com Jay até a Itália? –Pati questionou.
— Exato. –repetiu, a
bebericar mais. — Thomas sequer sabe que tenho um filho.
— Então nós três somos as
primeiras que sabem disto? –Jess indagou.
— Isso. –Amy confirmou.
— Somos a porra de um clube
secreto de mulheres, caralho! –Pati gargalhou, servindo-se de mais Whiskey. —
Hmm... se eu misturar com vodka fica bom?
— Tente! –Amy jogou-a a
garrafa que bebia. Patrícia sacodiu o líquido sobre seu copo, juntando as
bebidas em um coquetel perigoso.
As outras a assistiram virar
o copo contra a boca. Pati, esta muito tentada a experimentar coisas novas,
franziu o cenho com o gosto cítrico-forte que atingira-a a garganta e, depois
de algum tempo associando, soltou um suspiro.
— ISSO É BOM! –gritou.
— Aí estão elas! –Peter
exclamou logo que enterrou sua cabeça no bar, porém antes que pudesse gritar algo
a mais, uma mão gigante empurrou-o para dentro bruscamente. E é claro que essa
mão pertencia ao russo.
— Patrícia Viegas Caetano, o
que tens na cabeça a sair com essas loucas?! –bravejou o homem de cabelo cinza,
afundando seus passos pesados rumo à elas.
— Aproxime-se mais e eu
quebrarei essa garrafa de vodka em seu pau! –a amiga de cabelos cacheados e
sotaque brasileiro arqueou-se da cadeira, olhando-o intensamente. — Tarde das
meninas. Caiam fora.
— É bem o que ela disse.
–Patrícia respondeu e bebeu um gole, sorrindo de canto. — Pensei que não éramos
um casal. Pois não peça rédeas comigo, russo. Perda de tempo.
— Uuuh! –Jess interviu. —
Headshot, Johnny!
O russo apanhou uma batata
frita do prato da mesa vizinha, sem se importar com o desconhecido que reclamou
de ter seus salgados assaltados. Jogou-a contra a testa da baixinha
provocativa.
— Não me faça pendurar você
pelas calças, Hobbit. –resmungou. Ele arriscou dar mais um passo em direção às
garotas, porém Amélia se prontificou em aproximar-se também. Com a garrafa em
mãos e a ameaça em mente. — Eu não vou brigar com você.
— Eu sei domar homens. Por
isso o meu não está aqui, junto a vocês, a reclamar. –balançou a cabeça
momentaneamente, desviando seus olhos a Patrícia. — Oh! Acho que estou a entender.
Achas que sou uma ameaça para a ruiva? Que irei afastá-la de ti?
— Eu?! –repetiu o russo,
desconfortável. — Nunca!
— Então não vejo o motivo de
euforia. Ela já rejeitou três rapazes em trinta minutos. Sabe se cuidar.
–justificou. E então, rindo divertidamente, ela entregou-lhe a garrafa. —
Ciúme, russo? Seu coração está a derreter? Ótimo saber. Beba, faz bem.
Johnny apertou os olhos
verdes com irritação. O nariz fino respirou o ar em uma única inspiração e
lançou-se em direção a Patrícia, espantando-a.
— Não é ciúme. É precaução.
–disse. Jess fitou Charlie, sussurrando ‘a frase é dele, está a ver?’. O russo,
no entanto, direcionou-se para a nórdica ruiva. — Conversaremos em casa. Ou
não.
Patrícia entendeu o
significado de ‘ou não’.
— Ou eu posso amordaçá-lo e
não falarás mais. –devolveu a portuguesa, sem sorrir também. Johnny franziu o
cenho, desacreditado.
— Vou prender suas mãos antes
disso.
— Eu não permitirei.
— Não preciso de permissão.
–disse ele, arisco.
— Sem permissão, sem toque.
Apenas tu e tua mão. E seu brinquedo. E a vodka. –ela listou, arqueando uma das
sobrancelhas. Encarava-o por cima das lentes dos óculos.
— Posso emprestar alguns
chicotes. –a amiga brasileira comentou.
— Sim, querida, obrigada.
Farei bom uso. –Patrícia provocou e bebericou mais da vodka. Deslizou os dedos
pelo contorno da TARDIS estampada na camisa do russo, sentindo o tronco
endurecido. Ele segurou sua mão em reflexo.
— Digo o mesmo, então.
–condicionou, resmungando sua voz rouca.
— Tensão sexual. –um sotaque
charmoso ecoou pelo bar, até então desinquieto. Patrícia desvencilhou o olhar,
encontrando-se com a figura altiva de Jay à porta, encostado. Sua amiga
brasileira não pareceu gostar da companhia.
— Acho que precisará dos
chicotes agora, Amy –Pati riu. — Seu garoto está aí.
Amy revirou as pupilas.
— Talvez devêssemos prender
os dois juntos. Ajudaríamos uma a outra. –resmungou ela.
— Prender-nos? –Jaime
replicou. — Estou gostando. Continuem.
— Cale a boca, italiano.
–russo rugiu.
— Não vou negar que gosto de
estar por baixo, às vezes. Deixe que elas comandem. Nunca se sabe o que
aguarda. –cruzou os braços, divertindo-se com o mau humor do colega-inimigo.
— Eu sei bem. Vão nos
castrar. –Johnny murmurou.
— Precisamos de certos
membros. Castração é simbólica. –Amy reagiu ao russo, que desprendeu os lábios
em incredulidade.
— Eu esqueço de dizer que ela
é um pouco mais arisca que as outras mulheres. Acostume-se, Luchnik.
–aproximou-se, observando as quatro garotas sentadas ao bar. Seus olhos se
fixaram, porém, em Charlie. Estreitou as órbitas para a morena que apenas bebia
e nada falava. — Hiddleston cortou tua língua?
— O quê? Desculpem-me, estava
a pensar em um cálculo! –ergueu os braços, espantada. Notou que o homem a
encarava. Corou. E então, fitou as amigas em busca de socorro. Empurrou o russo
contra Pati. — DIVIRTAM-SE! ATÉ MAIS! E... não me olhe assim. –direcionou-se ao
italiano. — Não me olhe assim. Não. Mesmo.
— Desta mesa eu só me
atreveria a agarrar a Patrícia. –sussurrou ele. — Mas ela está ocupada com o
Russian-boy.
— Ahn... você não é...
casado? –Charlie gaguejou.
— Minha mulher gosta de
garotas, também. Acho que ela está flertando contigo, inclusive.
Charlie engasgou-se com a
própria saliva. Fez menção em dizer algo, mas, novamente, estava sem saída.
Patrícia parecia falar algo com Johnny. Amy estava a encarar Peter em tentativa
de assustá-lo. E o italiano, maravilhoso, que tanto Hiddleston odiava, continuava
em sua frente. Com os malditos olhos azuis.
— Eu estou começando a
entender a razão de Thomas não conseguir passar muito tempo contigo. –disse.
Jay entortou os lábios, inclinando-se sobre o balcão. Charlie pendeu o pescoço
para trás.
— Péssima escolha de
companheiro, Charlie. Tudo o que ele sabe sobre dominação, brotou de nós.
— Onde está Thomas, mesmo?
–Charlie irrompeu, vagando o bar a procura do homem.
— Nós o trancamos no carro.
Fala demais o maldito. –disse naturalmente.
Pobre Thomas.
Ele realmente estava preso.
— Vamos todos de volta ao
NOC! –esbravejou Patrícia. — Tenho uma ótima ideia para pagar nossas brigas.
Verdade ou desafio. –maliciou, apanhando as duas garrafas parcialmente cheias.
— Com bebida!
Patrícia tem o mesmo espírito
sádico que o russo. Que todos saibam disto.
Quando mais calmos e com os
nervos tranquilos, os homens separaram-se pelo prédio e tomaram, cada um, um
banho. As mulheres, essas sorridentes e divertidas, discutiam os planos para o
jogo seguinte. Pati pegara as fichas com perguntas sorteadas e as de desafio,
jogando-as num cubo mágico quebrado para que servisse de base. Charlie, a
lamentar pelo noivo preso no carro, preparava uma sopa de tomate, sua favorita.
Jess esvaziava uma garrafa de vinho barato para que mais tarde pudesse girá-la.
Minutos após, Thomas,
Charlie, Amy, Jay, Pati, Johnny, Jess, Peter e Hans se sentaram em círculo no
centro da sala do quadro acrílico.
O jogo começara.
— Quais são as regras?
–perguntou o loiro de olhos púrpuros, sorrindo atravessado.
— Não há regras. Apenas uma:
obediência as fichas. O que sair, fará. Não importa qual seja a revolta. Não
importa qual for seu parceiro. Apenas a fará. E se alguém desafiar o outro,
este deve aceitar. Somos todos adultos. Podemos brincar até chegarmos a nos
comer. –Amy respondeu, recolocando a garrafa vazia. — Temos doses de Whiskey,
vodka e uma garrafa de tequila completamente cheia. Que os jogos comecem.
Alguém vai se divorciar até o fim da noite. Pensou o russo.
Ao som de Hurricane, de Thirty
Seconds to Mars, os desafios se iniciaram. O russo, como dono do prédio, tomou
para si as primeiras perguntas. A garrafa escolhera Jess como responsável por
respondê-las.
— Diga seu desejo mais
obscuro por alguém desta sala que não seja Peter. –atingiu-a, causando um
murmúrio conjunto dos outros moradores.
Jess corou.
— Eu imagino o italiano a
fazer um movimento de dança comigo, tal como no filme Magic Mike. –disse. Peter
se engasgou. — Desculpe, amor.
Jay soprou um riso
provocativo. Patrícia, esta divertida pela confissão da amiga, apenas ponderou
a cabeça rumo ao homem de olhos azuis.
— Desafio-te a cumprir o
desejo dela. –enfrentou-o, estreitando suas sobrancelhas. O russo sentiu-se
orgulhoso.
— Sem problemas. –Jay
arqueou-se do chão, arregaçando as mangas de sua camisa. Jess arregalou as
pupilas, desacreditada que ele realmente estava a se aproximar dela. — Sem
ressentimentos, amigo. –disse ao Peter, que respirou fundo.
— Não a toque... intimamente.
–pediu.
— Somente se ela quiser.
–piscou-lhe o olho direito, esticando a mão para Jess. — Não tenha receio,
querida. Amanhã estaremos com tamanha ressaca que sequer nos lembraremos.
— Oh, eu me lembrarei disto!
–Jess exclamou extasiada, rodeando seus dedos em volta da mão oferecida pelo
italiano.
Ele, então, puxou-a com
veemência contra seu corpo. O círculo gritou em divertimento. Jay tomou posse
das mãos de Jess e, com ousadia, escorregaram-nas por seu tronco coberto. A
menina soltou espasmos e gritos de euforia. De lábios presos entre os dentes, o
italiano agachou-se agilmente e trouxe Jess em seu colo, fazendo-a prender suas
pernas ao redor de sua cintura. Mordeu-lhe o pescoço.
— Sempre cumpro com juros.
–sussurrou-lhe perigosamente, colocando-a de volta ao chão.
Jess, estática, permaneceu de
pé com o rosto vermelho.
— Puta merda, eu quero isso
também! –Patrícia exclamou, pondo-se arqueada.
— Próxima pergunta! –o russo
intrometeu-se, fuzilando o divertido italiano com seu semblante mais sádico
possível. ‘Não ouse’, sussurrou a ele. ‘Tente impedir’, Napoleon retornou.
— A garrafa indicou Johnny.
–Charlie, tossindo propositalmente, avisou.
— Que seja. –bufou ele.
— Diga-me a última pessoa que você beijou. –Charlie leu o
papel sorteado, sorrindo com o resultado. O russo apenas maneou a cabeça.
— Patrícia. –olhando para a portuguesa, retribuiu.
— WHAT?! –Jess gritou, surpreendida. — Conta-me tudo! Meu
deus!
— Controle-se. –Peter sussurrou.
— PRÓXIMA PERGUNTA! –Charlie interviu, gargalhando. — Girem
a garrafa.
Russo, o último perguntado, girou. Lentamente,
perigosamente, a garrafa tomou força e logo despendeu, parando em frente ao
italiano. Um sorriso maléfico surgiu no rosto de Nik. Ele sorteou o papel.
— Diga-me uma pessoa desta sala com quem faria sexo, mas não
pode ser a sua parceira. –leu Johnny, esperando o circo pegar fogo.
O italiano mudou o foco dos olhos para o lado oposto do
círculo, enxergando os lábios avermelhados da morena que acabara de rir para
Jess.
— Charlie. –admitiu, causando uma rápida reação da garota
que arregalou a boca em surpresa.
— Hiddleston, sente seu pau aí. –russo proclamou, evitando
uma possível briga.
— Ele quer que eu o atire para fora daqui! –o inglês gritou.
— Pare de pensar essas coisas depravadas com a minha mulher!
— Agora sabe o que eu senti quando fodeu com a minha. –Jay
apertou o cenho, desafiador. — Próxima pergunta.
— Próxima pergunta o cacete! –Tom exclamou. — Tire os olhos
de Charlie!
— Ele está gozando contigo, caralho. –Amélia intrometeu-se,
mal humorada.
Tom se calou, embora bufasse em raiva.
— Uh! Está ficando quente aqui! –Jess assobiou, desvairada.
— Próxima pergunta. –italiano limpou a garganta e girou a
garrafa. Para seu azar –ou sorte- ela se paralisou em frente a Charlie. A
garota solavancou. — Diga-me qual o lugar mais exótico que fez sexo.
Charlie congelou.
— Hm... ahn... armário de teatro? –balbuciou.
— Suspeitei que o rosto inocente era apenas uma máscara.
–Jay disse provocativo, entregando a posse das perguntas para a Charlie. —
Continue, ragazza.
A morena se arrepiou com a palavra italiana. Pare com isso. Se martirizou depois.
Charlie girou a garrafa. E, para a surpresa de Johnny, parou
em Pati.
— Se você fizesse sexo à três, com quais homens faria? –leu
a pergunta, rindo.
— Não é óbvio? Italiano e... Hans! –disse Pati, fitando
Johnny com lascívia em seu olhar. Ele, irritadiço, apenas resmungou baixo.
— Seria um prazer. –Hans gracejou, sorrindo cafajeste.
— Cale a boca, merdinha. –o russo xingou-o. — Próxima pergunta.
Patrícia, recompondo-se do riso, girou a garrafa. Parou de
frente a Amélia. Com o papel sorteado em mãos, abriu-o e se deparou com a
palavra ‘desafio’. Uuh!
— Desafio-a te beijar Hiddleston. –falou, direta. Amy tossiu
em surpresa. Tom, afetado em dobro, planejou fugir, mas, surpreendentemente,
Charlie o segurou. Ela queria ver isso.
— Nem fodendo. –Jay resmungou, negando acesso a mulher.
— Por acaso tu manda em mim? –Amy rebateu, entortando o
olhar. — Charlie?
— É todo seu. –a morena fez um gesto com as mãos,
gargalhando baixo. Tom e Jay entreolharam-se com o rosto em pânico.
ELAS ESTÃO LOUCAS!, gritaram
suas mentes, juntas.
Amy levantou-se, soltando os cabelos cacheados. Hans encarou
suas pernas descaradamente. Seu marido, no entanto, apenas fitou seu traseiro
como se sua imagem o fizesse esquecer que ela beijaria o maldito inglês.
Charlie dobrou o pescoço, curiosa com a expressão que Thomas fazia.
Sem recaídas,
Hiddleston. Sem recaídas por ela. Repetiu Tom incansavelmente em sua
cabeça.
Continua tão fofo.
Mordível. Amy pensou, rindo.
Foi sequencial. A mulher de belo corpo inclinou-se sobre
Hiddleston e fitou seus olhos por longos segundos. Momentaneamente os dois
relembraram-se dos bons tempos em que eram apaixonados, julgando-se burros por
se separarem. Era perigoso continuar. Mas, tentada, Amy entrelaçou seus dedos
em sua nuca e tomou-lhe os lábios com furor. Tom, sem reação, apenas apalpou
suas costas.
— Ela sabe como domar mesmo. –Charlie gracejou.
Eles dois se separaram imediatamente. Tom, sentindo-se
tonto, suspirou. Amy, tonta mais pela bebida que tomara que pelo beijo em seu
antigo amor, sentou-se em seu lugar. Jay a encarou com raiva.
— Você pode beijar Charlie. –ela sussurrou, alcançando a
vodka.
— Isso está ficando preocupante! –Peter gaguejou.
— Ótimo desafio, Patrícia! –russo parabenizou-a. — Escolha
um mais pertinente depois.
— Sempre farei, russo. –piscou-lhe em zombaria.
Com os ânimos equilibrados, todos voltaram a enxergar a
garrafa. Era a vez de Jay girá-la. E com força, ele o fez.
Caiu sobre o Luchnik.
Ops. Ops. Ops.
Retirou a ficha sorteada.
De-sa-fio.
Ops, ops, ops.
Fodeu.
— Desafio-o a derrubar um copo de tequila sobre o tronco de
Patrícia e lambê-lo até secar. –o italiano fez questão de narrar lentamente,
causando gritos de explosão e vários ‘uuuh’ dos colegas ao redor.
Patrícia, até então sem ser afetada pelo jogo, abriu os
olhos imediatamente.
O russo, corajoso como sempre fora, apenas entortou a boca
num sorriso.
— Amy, dê-me a tequila. –pediu a brasileira que,
prontamente, obedeceu. Com os olhos a brilhar em desafio, o homem de cabelos
cinza aproximou-se da portuguesa avermelhada e, sem nada dizer, alcançou a
barra de sua camisa larga e puxou-a para cima.
Lá estava ela. Quase nua do tronco para cima, com o maldito
assassino em seu corpo.
Para piorar a situação, Johnny retirou a tampa da garrafa
com os dentes. Jess, que usualmente suspirava por ele, sentiu o útero explodir.
Patrícia, que tinha a atenção toda ao homem, pensou que iria
desmaiar.
Seus cabelos sem cor, bagunçados sobre o rosto fino e
animalesco, causavam-no uma expressão selvagem irresistível. Era aquela
seriedade absurda que a tirava o fôlego. Eram aquelas pérolas verdes intensas
que tinha no lugar os olhos.
Eram aquelas mãos grandes.
E os lábios vermelhos, finos de longe, carnudos de perto.
Era aquele nariz arrebitado.
— Do I wanna know... –cantarolou
ele, despejando a tequila sobre sua clavícula exposta. A bebida escorreu entre
seu decote, fazendo-a franzir o rosto em ansiedade. A língua quente e úmida do
homem dançou sobre sua pele como o fogo de um dragão perigoso. Toda a sala
estava a observar atônita. O jogo estava se tornando sujo.
— Puta que pariu! –rosnou a portuguesa, extasiada.
Johnny arqueou a cabeça, lambendo os lábios molhados pela
tequila.
Até mesmo a pobre Charlie se sentiu excitada pela imagem.
Amy, sentada bem próxima, ponderou uma orgia com ele.
Thomas e Peter haviam fechado os olhos.
Hans tossiu propositalmente.
— Próxima pergunta! –gritou ele.
Patrícia então voltou a terra. A pobre ruiva estava se
sentindo como se haviam a chutado para fora do planeta.
— Sua camisola. –Johnny devolveu-a, como se nada tivesse
acontecido.
— PORRA! –Patrícia deixou-se decair.
A garrafa que Hans girara voltara a alcançar Charlie. A
morena, que estava abestalhada pela imagem de Nik ensopado pela bebida, apenas
piscou sequencialmente. Hans, rindo à toa, retirou o papel sorteado.
DESAFIO.
Charlie se contorceu.
— Seja caridoso comigo, por favor. –pediu ela.
— Claro. Desafio-a te sentar no colo do italiano, deixá-lo
te tocar e, ao fim, beijá-lo. De língua.
Charlie desfaleceu internamente. Thomas, sabendo bem que
após beijar Amy não tinha moral para rebater, esgueirou-se com feição de ódio e
alcançou a vodka. Precisava beber para não matar o maldito homem.
— Somos adultos. –disse Charlie, para si mesma.
Jay encarou Hiddleston com malícia. Era como se dissesse
‘agora é a hora de vingança’. Amy, no entanto, ébria pelo álcool, apenas sorriu
com a imagem do marido desejando a outra. Sexo era algo aberto entre eles.
Charlie hesitou, mas caminhou até o homem. Pousou cada
joelho ao redor de seu quadril e se sentou lentamente em seu colo,
acomodando-se sem jeito. Sentiu seu corpo rígido e seus braços largos. Sentiu
até mesmo seu tronco forte. Para uma garota que só havia feito sexo com um
homem, Tom, agarrar-se ao corpo de outro era tarefa difícil.
Mas lá estava o par de olhos de cobra dele. Azuis límpidos.
Ela sem querer se sentiu molhada.
— Você se parece com o Neal
Caffrey... –murmurou ela, lembrando-se do gostoso golpista de White Collar.
Jay sorriu torto. Arrastou as
costas de suas mãos por seu rosto, fitando o rosto jovem da garota como se
quisesse desenhá-lo mentalmente. Hiddleston
tem bom gosto. Pensou ele.
Então, o desafio cumpriu-se.
Ele deslizou suas mãos pelas coxas expostas de Charlie que, involuntariamente,
se arrepiou. Com ousadia, ele vagou seu traseiro e subiu-lhe as costas,
alcançando seus cabelos. Puxou-os com firmeza. Ela soltou um baixo gemido. E,
então, beijou-a.
— Próxima pergunta! –gritou
Thomas, desesperado. Amy gargalhou.
Charlie correu de volta ao
lugar desconcertada. Thomas, possesso, agarrou-a pela cintura e mostrou ao
italiano a quem ela pertencia. Ele, em resposta, mergulhou a mão entre as
pernas de Amy, que solavancou um susto.
— Eu acho que está em tempo
de acabarmos isto. –Pati aprontou-se, observando a índole dos dois homens.
— Eu posso sugerir um último
desafio? –Jess perguntou.
— Vá em frente. –russo
mandou-a.
— Desafio você a dormir com
Pati hoje. –disse a pequena garota.
— UUUUUH! –foi unânime. Todos
os moradores gritaram em conjunto.
Patrícia engasgou-se com a
própria saliva.
Hans, este gargalhando por
não ter sido atingido pelos desafios, se levantou.
— Vamos, amigos. Deixaremos
os dois a sós para discutirem o futuro da noite. –falou ele, comovendo os
demais colegas a saírem.
Abandonando Pati e Johnny com
seus rostos espantados, eles saíram.
Johnny sentia o prazer de
negar e ir para seu quarto sozinho, mas após lamber a tequila de sua pele, algo
em seu interior o ameaçava.
Cientificamente falando, a
endorfina liberada somente em suas missões, se transferiu para aquele maldito
jogo. E após tanto camuflar seu interesse pelo perfume da portuguesa, acabou
caindo na armadilha de cheirá-lo tão próximo.
A ciência o traíra.
Agora lá estava ele.
Excitado.
E Pati, sem saber, mordia os
lábios em nervosismo.
E Luchnik achava aquilo
atraente.
Pati, observando o russo a
observá-la com atenção, sentiu-se acalentada. Pensou em trocar suas calcinhas.
Excitada também.
Que os jogos comecem.





OMG !!! Eu continuo sem saber se estou viva ou morta !!
ResponderExcluirPorra !!
primeiro que tudo ... Como é que acabas assim o capitulo ?? Onde está o teu amor pela minha saúde mental ??? Russo comeu-o foi ?? T.T
A maneira como tu me descreves chega a ser assustadora, porque eu sou tão assim !!! *O* E eu fico tão orgulhosa e de coração quente por isso <3
~ abraço de urso~ Não ou soltar mesmo !!
E puta que pariu eu beijei mesmo o russo !! *O*
E God o que foi isso que eles me fez ?? Eu por dentro estava aos gritos !
Aquela bunda gostosa ! ~ aperta de novo~
Thomas vai acabar por dar em louco! Ter de conviver com o italiano, ter de se confrontar novamente com a Amélia, ver o italiano a flertar com a sua Charlie e ainda a ver cair nas graças dele e beija-lo ... Ele vai chegar a cama esconder-se debaixo dela e chorar como uma criança com medo de monstros !
Charlie a acusar a Amy de nos roubar dela. Nós te amamos doida <3
E ela vai aprender o que é viver eternamente com tensão sexual por alguem ahahahah
Jess sempre a mesmo doida <3 Como amo a espontaneidade dela *O*
E a relação dela com o Peter e tão lindaa *O*
Sortuda por aquela dança sensual ~ baba~
Amy e Jaime são sempre os mesmos <3 sempre me surpreendem. Gosto de os ver juntos ahahah
Hans meu querido não te escapas de um aperto nessa bunda !!! VAIS-TE ARREPENDER !!!
Tu não tens a noção do quanto eu te agradeço demais por este carinho *O* Por ver a maneira como continuas a dedicar-te as tuas personagens e por me deixares ser uma das tuas personagens e meu deus, eu fico louca de vontade de te abraçar por tudo isto !
Eu prometo que um dia me irei redimir com tudo o que fizes-te por mim !
Isto é quase como um analgésico nos dias maus <3
Não há palavras que cheguem para te agradecer tudo isto e espero não te desiludir com o que tenho para te dar <3
Amo-te demais minha doida <3