sábado, 19 de março de 2016

NOC — Capítulo 2 — Verdades e desafios

NOC — Capítulo 2 — Verdades e desafios


Patrícia despertou de seu sono pesado com uma errônea preguiça matinal. Bem, não tão matinal assim. Olhou para o relógio na cabeceira de sua cama e deparou-se com os gritantes 14h30min no painel a avisar que após o Natal, seu corpo realmente não pensava muito em acordar.
Com uma mão em sua boca, a tampá-la para bocejar, a ruiva ajeitou-se entre os espessos cobertores e chutou os sapatos sobre o tapete logo abaixo, a erguer os braços seguidamente para espreguiçar-se. Seus olhos inchados das horas de sono encararam a bagunça do quarto 09, surpreendendo-a com o furacão desordenado que irrompeu em seu cômodo durante a festa. E, então, ela se lembrou.
Russo, russo. Maldito seja tu, homem. Sua boca desfaleceu em um sorriso maravilhado e repleto de nostalgia ao relembrar-se do que ocorreu em sua conturbada passagem de tempo junto ao homem de cabelo cinza, pelas noites de Londres. Merda, merda! Ele realmente me beijou, porra!!!
E assim, Patrícia caiu de sua cama.
Do modo mais elegante possível.




Após a portuguesa escovar seus dentes e completar sua higiene matinal-tarde, vestiu-se com uma larga camisola de lã e trançou seus longos fios avermelhados rumo às costas, destinada a encarar o NOC de cabeça erguida. Havia certa coragem em seu interior depois de enfrentar os lábios perigosos de Johnny.
Ao abrir a porta, Patrícia sentiu o doce perfume de comida a irradiar na direção da cozinha central do prédio. Agraciada pelo conhecido cheiro de frango frito e batatas, a garota andejou pelos corredores como se o alimento guiasse seu corpo. O que a ruiva não sabia, no entanto, era que ao chegar ao lugar de destino, se depararia com o mesmo quartel-general de pessoas da ceia de natal. Espalhados da cozinha à sala do quadro acrílico, os moradores do NOC enfrentavam uma fila desumana, todos com seus pratos e talheres em mãos. Alguém tomava posse do fogão. Eles aguardavam o almoço.
— Boa tarde, Pati! –a voz simpática de Jess gritou, assustando a adormecida portuguesa.
— Oh, olá, Jess! –ela cumprimentou, reivindicando um lugarzinho junto a pequena loia. — O que está a acontecer?
— Charlie está a cozinhar. –sorriu abertamente, apontando sobre as dezenas de ombros à sua frente. — Ora, não a vi chegar com o russo ontem. O que ocorreu? –perguntou-a, com certa malícia em seu tom.
Patrícia sentiu o rosto corar, mas manteve-se em segredo.
— Esperamos que a neve parasse de cair antes de retornarmos ao prédio. Johnny não gostava de molhar a moto.
— A verdade logo chegará, Pati. –Jess citou, apertando os olhos em desconfiança. Patrícia ficou desentendida.
— Meninos para um lado, meninas para o outro! –o timbre divertido de Charlie ecoou pelo corredor, alertando. — Temos para todos, mas estou liberando acesso às garotas primeiro!
— Injustiça! –gritou Bob, o morador do quarto 5. Charlie colocou ambas as mãos na cintura, encarando-o de sobrancelhas unidas.
— Você não tem que sentir sangue sair de você todo o mês, tem? –perguntou-o, desafiadora. Patrícia e Jess puseram-se a rir. Bob negou. — Então cale a boca. Meninas, andem a frente! –gesticulou, chamando-as.
— Bem, lá vamos nós. –a portuguesa puxou a pequena amiga da multidão, seguindo caminho em companhia as outras meninas do prédio. Rodeando os olhos pelas filas formadas, a ruiva sentiu falta de alguém. — Onde está a brasileira?
— Que brasileira? –Jess rebateu.
— A de cabelos cacheados. Que anda com o italiano gostoso.
— Amy? Eu não a vi. Deve estar de ressaca no quarto 08. O italiano e ela beberam tanto! Logo após tu sair com Johnny, eles propuseram um jogo de bebidas que envolveu um Hiddleston irritado e uma Charlie sorridente. O que eu posso dizer é que para não ouvir um ao outro falar, eles beberam muito. Tom quis batê-lo. Algo me diz que o italiano estava a galantear a Charlie.
Patrícia abriu a boca em surpresa.
— É louco, ele?! –indignou-se, embora divertisse-se. — Jay estava a flertar com a Charlie? Em frente ao Hiddleston?
— É o que estou a dizer. Ao que me parece o gostoso é tão ousado quanto lindo. –Jess riu, a apanhar um prato sobre a mesa e entregar a amiga. Pati o recebeu. — Sabe o que acho? Que há alguma história entre eles.
— Eles? –Patrícia indagou.
— Italiano, Hiddleston. Eles se conhecem, isso eu sei. Apenas não sei o que os ocorre.
— E dizem que o encrenqueiro daqui é o russo. Este italiano o enfrenta sem pudor. –a ruiva comentou, esticando o braço rumo às panelas postas por Charlie, repletas de alimento. Lambeu os lábios. — Uuuh! Charlie se esforçou.
— Ela é sempre um amor conosco. –Jess serviu-se logo atrás da amiga. — E cozinha tão bem.
— Realmente. Onde está Hiddleston, afinal? Ele sempre ajuda a mulher.
— Acho que levou Hamish de volta a casa deles. –disse. Patrícia murmurou em concordância, arrastando-se em direção ao prato de salada. Alfaces, tomates, ervilhas. Charlie parecia ter feito especialmente a ela.
Quando as duas calcorreavam em busca de um local para sentar-se e comer, ambas avistaram a figura despenteada do italiano descendo as escadas, vestindo nada mais que uma calça moletom branca e uma camisa azul-marinho que expunha seus braços musculosos. Jess entortou os olhos, aprazida. Pati, um pouco mais esperta, direcionou as íris sobre sua calça.
— Buongiorno, belíssimas. –cumprimentou-as, de voz rouca. Jess suspirou. Pati arqueou a cabeça de volta ao semblante do homem.
— Buongiorno, senhor. –a portuguesa gracejou, sorrindo-lhe aberto. — Servido? –apontou ao prato.
O italiano semicerrou as pálpebras em atenção ao alimento, sem saber o quão quente parecia quando o fazia.
— Quem cozinhou? –questionou ele.
— Charlie. –Jess interpôs.
Ele entortou os lábios rosados num riso galanteador.
— De repente deu-me um apetite. –falou ele, cafajeste. — Ela me parece muito tímida.
— É porque ainda não a viu se soltar. –Patrícia avisou. — Quando entra no grupo, ela se torna a pessoa mais divertida que conheces.
— Tentarei atingir esse lado dela em breve. –prometeu ele. — Enquanto isso, por que não sobem e conversam com Amy? Ela guardou alguns chocolates para vocês duas.
— Para nós? –Patrícia espantou-se, pois a brasileira recém-chegada sequer havia trocado um par de palavras consigo.
— Contei a ela que tu és uma boa cozinheira e que tive o prazer de dividir a cozinha contigo. Ela está louca para conhecê-la. –explicou. — Mas tome cuidado. Às vezes pode-se achar que ela está a flertar contigo.
— Ela é bissexual? –Patrícia abriu-se num riso.
— Ela só gosta muito de sexo. Como eu. –piscou-lhe o olho direito, afastando-se pela cozinha. — Talvez possamos marcar algo mais tarde, se isso lhe agrada.
Patrícia e Jess se entreolharam e depois olharam o homem partir, sem saber o quanto seu traseiro redondo chamava as suas atenções. A ruiva sacodiu a cabeça, buscando livrar-se dos pensamentos pecuniosos e Jess, entretida, desejou apalpá-lo todo algum dia, em um futuro próximo. Sem Peter saber, obviamente.
— Eu acho que é por isso que Thomas odeia ele. –Patrícia opinou, virando-se bruscamente. Seu rosto colorava-se em vermelho. — Intrometido. Pervertido. Audacioso. Confiante demais. E gostoso pra porra. Porra!



Rindo descontroladamente, as duas finalizaram seus almoços.
— Eu... é melhor irmos ver a Amy. –Jess engasgou-se de novo, a puxar a mão da portuguesa.
Juntas, subiram as escadas rumo ao andar do quarto onde Patrícia vivia e, logo em frente, no quarto 08, bateram.
— Entrem! –uma voz sonolenta as pediu. Jess, um pouco mais íntima da brasileira do que Pati, pegou a liderança. Ao abrirem o cômodo até então inexplorado, apanharam-se a observar uma enorme cama de casal com dossel de madeira, lençóis pretos de seda que, de forma maliciosa, estavam jogados sobre o chão e malas de roupas sobre um pequenino sofá de dois lugares próximo à janela. Pati pensou em redecorar o quarto imediatamente. Mas a deixar os pensamentos de design de interiores, encontrou-se com Amy agachada abaixo do colchão, à procura de algo que não era possível observar.
Por outro lado, seu traseiro empinado era bastante evidente.
O filho desses dois deve-se parecer uma abelha. Quantas bundas. Pati imaginou, sem querer.
— Chamou-nos? –Jess iniciou.
— Hm, sim. –grunhiu a moça. — Os chocolates estão sobre a mesinha próxima à lareira elétrica, meninas.
— Obrigada! –Jess respondeu, distanciando-se para a mesinha. Como tal dito, deparou-se com uma caixa decorada em vermelho e roxo, recheada de bombons de chocolates trufados com cobertura, implodindo seus tamanhos anormais. Patrícia sentiu a boca salivar.
— Obrigada... –murmurou a ruiva. — Onde os conseguiu?
— Eu os fiz. –Amy articulou, pondo-se de pé, então. Coçou a nuca. — Meu filho participa de algumas ideias estranhas na escola e uma vez tivemos que fazer ovos de páscoa. Mas meu marido idiota não colocou ingredientes o suficientes e eles encolheram na forma. Como podem ver, esses bombons não são realmente bombons. São ovos.
— Por isso tão grandes! Bem... grandes para o tamanho de um bombom. –justificou a portuguesa, rindo comovida. — Desculpe-me não ter falado tanto contigo ontem na ceia. Sou Patrícia, mudei-me para cá no mês passado.
— Não peça desculpas, acho que mesmo se tivéssemos trocado palavras, não conseguiríamos. –Amy aproximou-se, cumprimentando-a com um abraço apertado. — O clima estava louco com Hiddleston por aqui. –a brasileira parecia um pouco desconfortável. Patrícia encarou-a bem.
— O que ocorre entre Hiddleston e o italiano? –indagou-a diretamente, sem procurar-se redimir. Amy gostou da praticidade da nova colega.
A bela brasileira de olhos redondos suspirou pesadamente, impossibilitada em falar. Porém, vendo que as duas garotas mais pareciam com ela em segredo e que a ruiva em sua frente parecia-se anormalmente com sua amiga Trícia, teve confidência em continuar.
— Eu me envolvi com Hiddleston há alguns anos atrás. –admitiu, suscitando olhares arregalados das garotas. — Chegamos a ter um relacionamento bom. Foi logo após meu rompimento com Jay. Por isso eles se odeiam tanto e eu me sinto perdida neste prédio com a nova garota de Thomas.
— Sério?! –Patrícia não se controlou. — Tu e Hiddleston?? Oh my God! Conta-me isso direito!
Amy correu as órbitas pelo quarto, fixando-se na figura pequena de Jess a comer seus bombons.
— Querem fugir a um bar comigo? Posso contar tudo a vocês após um gole de vodka.
— Claro! –Pati exclamou, animadíssima. — Venha, Jess! A moça está a me encantar com ideias de bebidas!
A portuguesa criou laços com a brasileira por dois motivos óbvios.
1-      Ela havia a chamado para beber logo após oferecê-la chocolate.
2-      Sequer era noite. Amy a chamara para beber de tarde. E isso era ótimo! Sem horas marcadas para bebida! Por favor, mundo, aprenda!
— Beber? A esta hora? –a pequena loira inquiriu. Pati, já animada, revirou os olhos.
— Não acabe com minha felicidade, Jess. Venha logo! –era a vez da ruiva puxá-la pelo braço.
— Vou pegar meu passe para o trem, já volto. –a menina apressou-se, sendo logo parada por Amy.
— Relaxem. Vamos de carro. –a brasileira anunciou, piscando divertidamente.
Patrícia a amou mais depois disto. A moça parecia-lhe ser uma badass. As três, então, marcharam para o andar de baixo do prédio, onde os moradores ainda confraternizavam-se a comer loucamente. Amy, a frente delas, sentiu que deveria chamar Charlie para juntar-se a elas, embora uma história as fizesse separar. Na noite passada, no entanto, as duas trocaram boas conversas sobre filhos. Mas Amy não queria limitar-se a esse tipo de assunto. Pareciam duas mulheres submissas aos trabalhos domésticos. E isso ela não suportava. Submissa apenas no sexo. Esse era o seu lema.
— Pegue na bunda do russo. –Amy indicou-a, fazendo Pati gargalhar. — Assim que eu aproveitar-me dos bolsos de Jay, tu vai e apalpa o Illya.
— Está a falar sério? –a ruiva indagou.
— Estou! –riu. — Vamos em um... dois... três!
Amy abeirou-se junto ao marido, abraçando-o por trás. Com um solavanco de susto, escorregou as mãos pelo traseiro delicioso do homem que, em resposta, apenas sorriu torto com a atitude da mulher.
— O que quer, pirralha? –perguntou ele, sem alterar o tom de voz.
— As chaves da Ferrari. –explicou ela. Ele apertou as sobrancelhas.
— O que eu ganho com isso? –rebateu.
— Você pode me comer do jeito que quiser mais tarde. –mordiscou sua orelha, arfando de modo que ele somente desejou que o tempo passasse rápido.
— Estão no bolso de trás. –disse, relutante.
— Eu sei que estão. –Amy sorriu, sacodindo o chaveiro entre os dedos. Beijou as costas do companheiro, inspirando seu perfume impregnado na camisa. — Espero você à noite. Usarei vermelho.
Esse casal tem maneiras estranhas de fazer acordo.
Há poucos metros dali, Patrícia cumpria sua missão. O corpo alto e esguio de Johnny, encostado a pia, observava com seus olhos chamativos o pedaço de carne frita que cortava. Ela, sem medo, arrastou seus dedos na curva de seu traseiro. Ele apenas resmungou. A portuguesa, encorajada, juntou as duas mãos e apertou-o fortemente, sentindo a firmeza de seus músculos em suas palmas.
— Por acaso acha que escondo alguma arma no rabo? –reclamou Nik, virando-se abruptamente. — Que diabos está a fazer?
— Achei propicio. Parabéns, tens um belo traseiro. –provocou a mulher, gargalhando em satisfação.
O russo franziu o semblante mal humorado. Com as duas íris verdes intensas, analisou a expressão de júbilo que a garota fazia em sua frente. Sequer conseguiu entender a súbita ação depravada.
— Amélia a ofereceu maconha? –interrogou, inclinando o rosto contra o dela. — Está sob efeito de drogas ilícitas? –encarou-a nos olhos, procurando sinais de vermelhidão.
— Chame minha droga de efeito pós-beijo teu, querido. –gracejou ela.
— Saia daqui. –rosnou ele, irritado. Patrícia pôs-se a sorrir mais ainda, encantada com seu desconforto.
— Até mais tarde, querido. –disse ela, jogando-lhe um beijo no ar. Johnny, sem entender nada do que ela havia feito, voltou sua atenção para a carne.
Soldados e mafiosos são mais fáceis de lidar. Pensou ele.
Esse casal é ainda mais estranho.



Amy, com as chaves em mão, riu a Patrícia e as duas foram até Jess que conversava com Charlie.
— Charlie, quer sair para beber conosco? –a ruiva perguntou a amiga, que sentiu-se ligeiramente conturbada com o pedido.
— Beber com vocês? Por que vocês me convidariam para isso? Eu sou um estraga prazeres de diversão. –a garota sorriu, desacreditada. — E estou com ressaca de ontem.
— O melhor modo de curar uma ressaca é bebendo de novo. –Amy citou, fitando-a descaradamente. Charlie sentiu-se intimidada. Na realidade, a pobre recém-mãe não estava a lidar tão bem com a presença da outra brasileira no NOC. Não conseguia encará-la sem lembrar-se de tudo que Thomas a dissera sobre a ex-namorada. Em como ela era incrível e divertida. Literalmente louca. E muito atraente.
Charlie percebeu tudo em pouco tempo. Além da mulher a sua frente ter um corpo que deixaria qualquer homem louco, tinha como companheiro um homem mais lindo ainda. A física de fraldas não sentia ciúme. Mas sentia insegurança. Porque também, ultimamente, os olhos azuis do outro louco a fitavam demais. E isso era complicado.
— Bem, podemos conversar. –Charlie assentiu, arrumando-se o melhor que podia em seu moletom largo. Amy usava calça apertada e camisa justa. Eram opostos.
Ela é gostosa, tenho que admitir. Charlie pensou.



Então, as quatro, saíram. Juntas. 


Quando os rapazes deram-se conta disso, houve uma pequena guerra descontrolada no NOC.
Thomas, que chegara poucos minutos depois, perguntou a todos sobre a mulher perdida. Russo, pouco amigável, respondeu-lhe:
— Patrícia, Amélia, Jess e Charlie saíram.
Hiddleston entrou em choque.
— Charlie e Amélia?! –gritou, exasperado. Apenas esses dois nomes o preocupavam. — O que Charlie está a fazer com ela?!
— Tem algum problema com a minha mulher, inglesinho? –irritou-se o italiano, do outro lado.
— Cale a boca! –rosnou o ator. — Onde elas foram?!
— Eu tenho cara de perseguidor de mulheres, babaca inseguro? –Jay irrompeu novamente.
— Sim, você tem! –disse Thomas.
Johnny passou as mãos pelo rosto, ainda de mau humor. O mau feitio impedia-o de sorrir.
— Vocês parecem duas vadias a brigar. –reclamou, afastando-se. — Para onde Amy disse que iria, Napoleon? –perguntou o russo ao dono da Ferrari.
— Não disse. –falou ele. — Um bar, talvez.
— Um bar?! –o russo indignou-se, surpreendendo-se com o destino das mulheres. — Em pleno natal? Com esses aproveitadores infelizes pela cidade? Essa escória inglesa?
— Olhe como fala de nós! –Thomas interpôs.
— ‘Nós’ um caralho, Hiddleston. Nasci bem distante daqui. –Johnny rebateu, apanhando a faca que usava na carne. Colocou-a entre a calça e a cintura. — Vou procurá-las.
— Com uma faca de cozinha nas calças, sério? –Thomas postulou, a colocar suas mãos na cintura. Fazia a usual postura de mãe preocupada. Aprendera muito com Charlie desde que Hamish nascera.
— Você prefere que eu pegue uma das minhas semiautomáticas para procurá-las? –o russo, de olhos firmes e felinos, rebateu.
Talvez ele fosse o único homem do recinto que mais agia do que falava. Deixando os inimigos alheios, Luchnik marchou ávido de cólera e ódio a porta, agarrando o pobre Peter que ainda comia. ‘Sua mulher também se juntou a elas. Levante-se, frouxo’, disse-lhe ameaçadoramente.
Thomas não tardou a juntar-se aos dois homens, à procura das meninas.
Jay, pouco importando-se, apenas deu de ombros. Não lhe importava muito o que sua esposa fazia, porque ele mais do que ninguém sabia bem como a mulher sabia se defender. Mas interrompendo seu fluxo de paz, visualizou a figura altiva do maldito russo a retornar e obriga-lo a acompanhá-los. Ou caso contrário, a faca roubada alcançaria lugares que ele desejava usar apenas com a mulher ausente.
Como eu os odeio. Pensou o italiano.



Enquanto isso, à plena velocidade de 230 km/h em uma rodovia inglesa qualquer, as garotas sorriam e cantarolavam uma canção do Foo Fighters –que, coincidentemente, era a banda favorita do italiano- sem ao menos pensar no quão polêmico estava sendo tratado o inocente passeio. Amélia se acostumara com seu novo apelido: Amy. Em retribuição, deu a alcunha de ‘nórdica’ a Patrícia, pois seus cabelos ruivos assemelhavam-se a de uma deusa do templo de Odin, ou, no singelo caso, uma viking guerreira dos países celtas. Com animação, Amy encarou Jess e chamou-a de ‘stellina’, uma versão carinhosa de ‘estrela’ em italiano. Já a pobre Charlie, que segurava-se firmemente em seu cinto de segurança, desejava apenas chegar ao bar com vida.
Ela constatara que Amy era realmente tudo o que Tom dissera. Gostosa, engraçada, louca e aventureira. Parecia-se muito com uma fusão de Pati e Jess.
Amy, pouco contente com o silêncio da companheira de seu ex-namorado, suspirou.  
— Você precisa se soltar. –a mulher a recomendou.
— Estou bem, obrigada. –Charlie disse.
— Você se comporta como uma freira decadente. –Amy retornou. Charlie fitou-a com antipatia.
— Freira decadente?! –indignou-se. — Só porque não saio a convidar os outros para beber ou dirijo uma Ferrari?
Patrícia arregalou os olhos, a temer uma briga das duas.
— Veja, eu entendo. Não é necessário gostar de mim. Sei que não é fácil aceitar a amizade de uma mulher que anos atrás relacionou-se com Tom. Eu entendo.
— Não é por isso. –Charlie direcionou seu par de olhos brilhantes a outra brasileira. — Realmente não me importa que foi namorada de Thomas.
— Então o que há contra mim? –Amy inspirou.
— Você está a roubar minhas amigas! –Charlie admitiu, rolando suas íris rumo a portuguesa e a pequena Jess. — E você é como uma... modelo de passarela ambulante com esse seu traseiro empinado.
Amy colocou-se a rir. A ruiva e a loira, logo ao lado, caíram numa gargalhada juntas, também. Charlie apenas torceu o pescoço, fungando seu mau humor.
— Deixa-te de merdas que ninguém nos roubará de ti! –a portuguesa exclamou, colocando suas mãos em volta dos ombros encolhidos de Charlie. — Ciúmes, morena? Não acredito!
— Não é ciúmes. É precaução. –Charlie respondeu.
— Este discurso é do Johnny. –Jess provocou-a, ainda a rir.
— Tudo bem! –Charlie riu. — Veja, Amy... posso chamá-la assim, certo? Amy, muitas coisas estão a me preocupar. Primeiro, tua chegada afetou Thomas. Não a culpo, pois a culpa é dele. Ele é um maldito sentimental. –iniciou, fazendo as três rirem com o modo que tratava Hiddleston. — Tu que já namorastes ele deve saber bem como o homem consegue sentir remorso por uma pedra que pisou.
— Oh, eu sei. –Amy confirmou.
— Sabemos. –Pati juntou-se a elas.
— Segundo, teu marido está a me encarar. –olhou para Amy, que dirigia com atenção. — E eu me sinto intimidada com ele.
— Por quê? –Amy sibilou naturalmente. — Jay não é perigoso. Ele só gosta de fitar.
— E flertar. –Pati adicionou. — Ele me chamou para uma orgia contigo. –foi sincera.
— Ele faz isso para provocar Illya. –Amy a confortou. — E Charlie, Jay não fará nada sem seu consentimento. Ele está interessado por ti, sim. Sabes por que? Porque você se parece comigo.
— What?? –Pati ressonou. — Onde Charlie parece contigo?
— Normalmente sou como ela. Quieta, pensativa, sempre com o rosto dentro de um bom livro. Mas ultimamente estou elétrica e falo mais do que a própria boca. Eu tenho um transtorno de humor que faz com que eu me mostre bem humorada num dia e irritada no outro. –Amy explicou. — E claro que Jay está a provocar Hiddleston também.
A Ferrari estacionou em frente a um bar de fachada rústica. Assemelhava-se a um bar em meio do deserto, de placas de madeira em sua face e letreiros iluminados por neon. As quatro garotas gostaram do lugar.
Pati não se contentou e sacou-lhe o celular, reservando algumas fotos para postar em seu instagram mais tarde.
— Vamos conversar enquanto bebemos. –a ruiva foi a primeira a abrir a porta do esportivo, escorregando-se junto a motorista para fora. — Mas antes... alguém tire uma foto minha neste carro?
Jess, a sorrir, tomou o celular em mãos para fazer o que Pati pedira. Amy encostou-se na lataria, observando a pequena loira configurando a câmera sobre o rosto sorridente da portuguesa a fingir que dirigia a Ferrari. Charlie, até então quieta, gargalhou.
Juntas, pouco mais tarde, adentraram no bar.
E ao fazerem, olhares indiscretos dos muitos homens que ali bebiam rodearam-nas com interesse. O ar cheirava a batatas fritas e cerveja. Algumas luminárias encrustavam as paredes forradas com papéis de cor neutra e pôsteres de bandas de rock e metal, vulgarizando o local com um pouco da personalidade selvagem.
Russo gostaria daqui, pensou Pati.
Jay morreria bêbado sobre alguma mesa dessas, Amy imaginou.
Thomas me mata se souber que estou aqui, Charlie refletiu.
Puta que pariu, isso é que é diversão! Jess, sem lembrar-se de Peter, alcançou um assento ao redor do balcão.
A verdadeira aventureira era a loirinha.




No outro lado de Londres, juntos em no Aston Martin Vanquish do irritadiço Johnny Luchnik, juntavam-se Peter no banco de trás, Thomas ao seu lado, o italiano no banco de passageiro e o motorista, o mesmo russo dono do automóvel.
E é claro que Johnny alcançava velocidade entre as ruas.
Mais precisamente 290km/h.
Perigoso.
— Entre na direita! –Peter gritou, empunhando em mãos um tablet. Em sua tela principal apitava um pequeno botão vermelho, indicando a movimentação de um carro qualquer.
Não, não era um carro qualquer.
Era a Ferrari Califórnia de Jay.
— Pode ir mais devagar em nome do seu pau? –o italiano reclamou, encarando o russo com furor.
— Não me faça enfiar essa faca no seu. –Illya respondeu-o pouco amigável. — Se souberem que quatro mulheres que conheço estão juntas em um carro, as sequestrarão.
— Eu sou filho da máfia, porra. E sequer estou preocupado com hipóteses de sequestro. –Jay rebateu.
— Sua máfia é uma reunião de crianças comparada aos idiotas que querem uma chance de me atacar usando meus colegas. –murmurou.
—  O quê?! Estão dizendo que minha mulher corre perigo? –Thomas alertou-se, estilhaçando sua voz rouca.
— Eles podem ser um pouco dramáticos. –Peter sussurrou, desviando seus olhos azuis. — Não se importe. Elas estão bem.




Patrícia despachara o terceiro homem em trinta minutos.
Tudo estava muito bem, obrigada. Não era culpa delas se os homens a achavam gostosas.
— Então você se apaixonou por Thomas e se afastou de Jay por isso? –Charlie perguntou, após os vários minutos de explicação que Amy a detalhava.
— Exato. –bebericou vodka.
— E tu nunca mais vira Hiddleston desde que fugiu com Jay até a Itália? –Pati questionou.
— Exato. –repetiu, a bebericar mais. — Thomas sequer sabe que tenho um filho.
— Então nós três somos as primeiras que sabem disto? –Jess indagou.
— Isso. –Amy confirmou.
— Somos a porra de um clube secreto de mulheres, caralho! –Pati gargalhou, servindo-se de mais Whiskey. — Hmm... se eu misturar com vodka fica bom?
— Tente! –Amy jogou-a a garrafa que bebia. Patrícia sacodiu o líquido sobre seu copo, juntando as bebidas em um coquetel perigoso.
As outras a assistiram virar o copo contra a boca. Pati, esta muito tentada a experimentar coisas novas, franziu o cenho com o gosto cítrico-forte que atingira-a a garganta e, depois de algum tempo associando, soltou um suspiro.
— ISSO É BOM! –gritou.
— Aí estão elas! –Peter exclamou logo que enterrou sua cabeça no bar, porém antes que pudesse gritar algo a mais, uma mão gigante empurrou-o para dentro bruscamente. E é claro que essa mão pertencia ao russo.
— Patrícia Viegas Caetano, o que tens na cabeça a sair com essas loucas?! –bravejou o homem de cabelo cinza, afundando seus passos pesados rumo à elas.
— Aproxime-se mais e eu quebrarei essa garrafa de vodka em seu pau! –a amiga de cabelos cacheados e sotaque brasileiro arqueou-se da cadeira, olhando-o intensamente. — Tarde das meninas. Caiam fora.
— É bem o que ela disse. –Patrícia respondeu e bebeu um gole, sorrindo de canto. — Pensei que não éramos um casal. Pois não peça rédeas comigo, russo. Perda de tempo.
— Uuuh! –Jess interviu. — Headshot, Johnny!
O russo apanhou uma batata frita do prato da mesa vizinha, sem se importar com o desconhecido que reclamou de ter seus salgados assaltados. Jogou-a contra a testa da baixinha provocativa.
— Não me faça pendurar você pelas calças, Hobbit. –resmungou. Ele arriscou dar mais um passo em direção às garotas, porém Amélia se prontificou em aproximar-se também. Com a garrafa em mãos e a ameaça em mente. — Eu não vou brigar com você.
— Eu sei domar homens. Por isso o meu não está aqui, junto a vocês, a reclamar. –balançou a cabeça momentaneamente, desviando seus olhos a Patrícia. — Oh! Acho que estou a entender. Achas que sou uma ameaça para a ruiva? Que irei afastá-la de ti?
— Eu?! –repetiu o russo, desconfortável. — Nunca!
— Então não vejo o motivo de euforia. Ela já rejeitou três rapazes em trinta minutos. Sabe se cuidar. –justificou. E então, rindo divertidamente, ela entregou-lhe a garrafa. — Ciúme, russo? Seu coração está a derreter? Ótimo saber. Beba, faz bem. 
Johnny apertou os olhos verdes com irritação. O nariz fino respirou o ar em uma única inspiração e lançou-se em direção a Patrícia, espantando-a.
— Não é ciúme. É precaução. –disse. Jess fitou Charlie, sussurrando ‘a frase é dele, está a ver?’. O russo, no entanto, direcionou-se para a nórdica ruiva. — Conversaremos em casa. Ou não.
Patrícia entendeu o significado de ‘ou não’.
— Ou eu posso amordaçá-lo e não falarás mais. –devolveu a portuguesa, sem sorrir também. Johnny franziu o cenho, desacreditado.
— Vou prender suas mãos antes disso.
— Eu não permitirei.
— Não preciso de permissão. –disse ele, arisco.
— Sem permissão, sem toque. Apenas tu e tua mão. E seu brinquedo. E a vodka. –ela listou, arqueando uma das sobrancelhas. Encarava-o por cima das lentes dos óculos.
— Posso emprestar alguns chicotes. –a amiga brasileira comentou.
— Sim, querida, obrigada. Farei bom uso. –Patrícia provocou e bebericou mais da vodka. Deslizou os dedos pelo contorno da TARDIS estampada na camisa do russo, sentindo o tronco endurecido. Ele segurou sua mão em reflexo.
— Digo o mesmo, então. –condicionou, resmungando sua voz rouca.
— Tensão sexual. –um sotaque charmoso ecoou pelo bar, até então desinquieto. Patrícia desvencilhou o olhar, encontrando-se com a figura altiva de Jay à porta, encostado. Sua amiga brasileira não pareceu gostar da companhia.
— Acho que precisará dos chicotes agora, Amy –Pati riu. — Seu garoto está aí.
Amy revirou as pupilas.
— Talvez devêssemos prender os dois juntos. Ajudaríamos uma a outra. –resmungou ela.
— Prender-nos? –Jaime replicou. — Estou gostando. Continuem.
— Cale a boca, italiano. –russo rugiu.
— Não vou negar que gosto de estar por baixo, às vezes. Deixe que elas comandem. Nunca se sabe o que aguarda. –cruzou os braços, divertindo-se com o mau humor do colega-inimigo.
— Eu sei bem. Vão nos castrar. –Johnny murmurou.
— Precisamos de certos membros. Castração é simbólica. –Amy reagiu ao russo, que desprendeu os lábios em incredulidade.
— Eu esqueço de dizer que ela é um pouco mais arisca que as outras mulheres. Acostume-se, Luchnik. –aproximou-se, observando as quatro garotas sentadas ao bar. Seus olhos se fixaram, porém, em Charlie. Estreitou as órbitas para a morena que apenas bebia e nada falava. — Hiddleston cortou tua língua?
— O quê? Desculpem-me, estava a pensar em um cálculo! –ergueu os braços, espantada. Notou que o homem a encarava. Corou. E então, fitou as amigas em busca de socorro. Empurrou o russo contra Pati. — DIVIRTAM-SE! ATÉ MAIS! E... não me olhe assim. –direcionou-se ao italiano. — Não me olhe assim. Não. Mesmo.
— Desta mesa eu só me atreveria a agarrar a Patrícia. –sussurrou ele. — Mas ela está ocupada com o Russian-boy.
— Ahn... você não é... casado? –Charlie gaguejou.
— Minha mulher gosta de garotas, também. Acho que ela está flertando contigo, inclusive.
Charlie engasgou-se com a própria saliva. Fez menção em dizer algo, mas, novamente, estava sem saída. Patrícia parecia falar algo com Johnny. Amy estava a encarar Peter em tentativa de assustá-lo. E o italiano, maravilhoso, que tanto Hiddleston odiava, continuava em sua frente. Com os malditos olhos azuis.
— Eu estou começando a entender a razão de Thomas não conseguir passar muito tempo contigo. –disse. Jay entortou os lábios, inclinando-se sobre o balcão. Charlie pendeu o pescoço para trás.
— Péssima escolha de companheiro, Charlie. Tudo o que ele sabe sobre dominação, brotou de nós.
— Onde está Thomas, mesmo? –Charlie irrompeu, vagando o bar a procura do homem.
— Nós o trancamos no carro. Fala demais o maldito. –disse naturalmente.
Pobre Thomas.
Ele realmente estava preso.
— Vamos todos de volta ao NOC! –esbravejou Patrícia. — Tenho uma ótima ideia para pagar nossas brigas. Verdade ou desafio. –maliciou, apanhando as duas garrafas parcialmente cheias. — Com bebida!

Patrícia tem o mesmo espírito sádico que o russo. Que todos saibam disto.



Quando mais calmos e com os nervos tranquilos, os homens separaram-se pelo prédio e tomaram, cada um, um banho. As mulheres, essas sorridentes e divertidas, discutiam os planos para o jogo seguinte. Pati pegara as fichas com perguntas sorteadas e as de desafio, jogando-as num cubo mágico quebrado para que servisse de base. Charlie, a lamentar pelo noivo preso no carro, preparava uma sopa de tomate, sua favorita. Jess esvaziava uma garrafa de vinho barato para que mais tarde pudesse girá-la.
Minutos após, Thomas, Charlie, Amy, Jay, Pati, Johnny, Jess, Peter e Hans se sentaram em círculo no centro da sala do quadro acrílico.
O jogo começara.
— Quais são as regras? –perguntou o loiro de olhos púrpuros, sorrindo atravessado.
— Não há regras. Apenas uma: obediência as fichas. O que sair, fará. Não importa qual seja a revolta. Não importa qual for seu parceiro. Apenas a fará. E se alguém desafiar o outro, este deve aceitar. Somos todos adultos. Podemos brincar até chegarmos a nos comer. –Amy respondeu, recolocando a garrafa vazia. — Temos doses de Whiskey, vodka e uma garrafa de tequila completamente cheia. Que os jogos comecem.

Alguém vai se divorciar até o fim da noite. Pensou o russo.




Ao som de Hurricane, de Thirty Seconds to Mars, os desafios se iniciaram. O russo, como dono do prédio, tomou para si as primeiras perguntas. A garrafa escolhera Jess como responsável por respondê-las.
— Diga seu desejo mais obscuro por alguém desta sala que não seja Peter. –atingiu-a, causando um murmúrio conjunto dos outros moradores.
Jess corou.
— Eu imagino o italiano a fazer um movimento de dança comigo, tal como no filme Magic Mike. –disse. Peter se engasgou. — Desculpe, amor.
Jay soprou um riso provocativo. Patrícia, esta divertida pela confissão da amiga, apenas ponderou a cabeça rumo ao homem de olhos azuis.
— Desafio-te a cumprir o desejo dela. –enfrentou-o, estreitando suas sobrancelhas. O russo sentiu-se orgulhoso.
— Sem problemas. –Jay arqueou-se do chão, arregaçando as mangas de sua camisa. Jess arregalou as pupilas, desacreditada que ele realmente estava a se aproximar dela. — Sem ressentimentos, amigo. –disse ao Peter, que respirou fundo.
— Não a toque... intimamente. –pediu.
— Somente se ela quiser. –piscou-lhe o olho direito, esticando a mão para Jess. — Não tenha receio, querida. Amanhã estaremos com tamanha ressaca que sequer nos lembraremos.
— Oh, eu me lembrarei disto! –Jess exclamou extasiada, rodeando seus dedos em volta da mão oferecida pelo italiano.
Ele, então, puxou-a com veemência contra seu corpo. O círculo gritou em divertimento. Jay tomou posse das mãos de Jess e, com ousadia, escorregaram-nas por seu tronco coberto. A menina soltou espasmos e gritos de euforia. De lábios presos entre os dentes, o italiano agachou-se agilmente e trouxe Jess em seu colo, fazendo-a prender suas pernas ao redor de sua cintura. Mordeu-lhe o pescoço.
— Sempre cumpro com juros. –sussurrou-lhe perigosamente, colocando-a de volta ao chão.
Jess, estática, permaneceu de pé com o rosto vermelho.
— Puta merda, eu quero isso também! –Patrícia exclamou, pondo-se arqueada.
— Próxima pergunta! –o russo intrometeu-se, fuzilando o divertido italiano com seu semblante mais sádico possível. ‘Não ouse’, sussurrou a ele. ‘Tente impedir’, Napoleon retornou.
— A garrafa indicou Johnny. –Charlie, tossindo propositalmente, avisou.
— Que seja. –bufou ele.
— Diga-me a última pessoa que você beijou. –Charlie leu o papel sorteado, sorrindo com o resultado. O russo apenas maneou a cabeça.
— Patrícia. –olhando para a portuguesa, retribuiu.
— WHAT?! –Jess gritou, surpreendida. — Conta-me tudo! Meu deus!
— Controle-se. –Peter sussurrou.
— PRÓXIMA PERGUNTA! –Charlie interviu, gargalhando. — Girem a garrafa.
Russo, o último perguntado, girou. Lentamente, perigosamente, a garrafa tomou força e logo despendeu, parando em frente ao italiano. Um sorriso maléfico surgiu no rosto de Nik. Ele sorteou o papel.
— Diga-me uma pessoa desta sala com quem faria sexo, mas não pode ser a sua parceira. –leu Johnny, esperando o circo pegar fogo.
O italiano mudou o foco dos olhos para o lado oposto do círculo, enxergando os lábios avermelhados da morena que acabara de rir para Jess.
— Charlie. –admitiu, causando uma rápida reação da garota que arregalou a boca em surpresa.
— Hiddleston, sente seu pau aí. –russo proclamou, evitando uma possível briga.
— Ele quer que eu o atire para fora daqui! –o inglês gritou. — Pare de pensar essas coisas depravadas com a minha mulher!
— Agora sabe o que eu senti quando fodeu com a minha. –Jay apertou o cenho, desafiador. — Próxima pergunta.
— Próxima pergunta o cacete! –Tom exclamou. — Tire os olhos de Charlie!
— Ele está gozando contigo, caralho. –Amélia intrometeu-se, mal humorada.
Tom se calou, embora bufasse em raiva.
— Uh! Está ficando quente aqui! –Jess assobiou, desvairada.
— Próxima pergunta. –italiano limpou a garganta e girou a garrafa. Para seu azar –ou sorte- ela se paralisou em frente a Charlie. A garota solavancou. — Diga-me qual o lugar mais exótico que fez sexo.
Charlie congelou.
— Hm... ahn... armário de teatro? –balbuciou.
— Suspeitei que o rosto inocente era apenas uma máscara. –Jay disse provocativo, entregando a posse das perguntas para a Charlie. — Continue, ragazza.
A morena se arrepiou com a palavra italiana. Pare com isso. Se martirizou depois.
Charlie girou a garrafa. E, para a surpresa de Johnny, parou em Pati.
— Se você fizesse sexo à três, com quais homens faria? –leu a pergunta, rindo.
— Não é óbvio? Italiano e... Hans! –disse Pati, fitando Johnny com lascívia em seu olhar. Ele, irritadiço, apenas resmungou baixo.
— Seria um prazer. –Hans gracejou, sorrindo cafajeste.
— Cale a boca, merdinha. –o russo xingou-o. — Próxima pergunta.
Patrícia, recompondo-se do riso, girou a garrafa. Parou de frente a Amélia. Com o papel sorteado em mãos, abriu-o e se deparou com a palavra ‘desafio’.  Uuh!
— Desafio-a te beijar Hiddleston. –falou, direta. Amy tossiu em surpresa. Tom, afetado em dobro, planejou fugir, mas, surpreendentemente, Charlie o segurou. Ela queria ver isso.
— Nem fodendo. –Jay resmungou, negando acesso a mulher.
— Por acaso tu manda em mim? –Amy rebateu, entortando o olhar. — Charlie?
— É todo seu. –a morena fez um gesto com as mãos, gargalhando baixo. Tom e Jay entreolharam-se com o rosto em pânico.
ELAS ESTÃO LOUCAS!, gritaram suas mentes, juntas.
Amy levantou-se, soltando os cabelos cacheados. Hans encarou suas pernas descaradamente. Seu marido, no entanto, apenas fitou seu traseiro como se sua imagem o fizesse esquecer que ela beijaria o maldito inglês. Charlie dobrou o pescoço, curiosa com a expressão que Thomas fazia.
Sem recaídas, Hiddleston. Sem recaídas por ela. Repetiu Tom incansavelmente em sua cabeça.
Continua tão fofo. Mordível. Amy pensou, rindo.
Foi sequencial. A mulher de belo corpo inclinou-se sobre Hiddleston e fitou seus olhos por longos segundos. Momentaneamente os dois relembraram-se dos bons tempos em que eram apaixonados, julgando-se burros por se separarem. Era perigoso continuar. Mas, tentada, Amy entrelaçou seus dedos em sua nuca e tomou-lhe os lábios com furor. Tom, sem reação, apenas apalpou suas costas.
— Ela sabe como domar mesmo. –Charlie gracejou.
Eles dois se separaram imediatamente. Tom, sentindo-se tonto, suspirou. Amy, tonta mais pela bebida que tomara que pelo beijo em seu antigo amor, sentou-se em seu lugar. Jay a encarou com raiva.
— Você pode beijar Charlie. –ela sussurrou, alcançando a vodka.
— Isso está ficando preocupante! –Peter gaguejou.
— Ótimo desafio, Patrícia! –russo parabenizou-a. — Escolha um mais pertinente depois.
— Sempre farei, russo. –piscou-lhe em zombaria.
Com os ânimos equilibrados, todos voltaram a enxergar a garrafa. Era a vez de Jay girá-la. E com força, ele o fez.
Caiu sobre o Luchnik.
Ops. Ops. Ops.
Retirou a ficha sorteada.
De-sa-fio.
Ops, ops, ops.
Fodeu.
— Desafio-o a derrubar um copo de tequila sobre o tronco de Patrícia e lambê-lo até secar. –o italiano fez questão de narrar lentamente, causando gritos de explosão e vários ‘uuuh’ dos colegas ao redor.
Patrícia, até então sem ser afetada pelo jogo, abriu os olhos imediatamente.
O russo, corajoso como sempre fora, apenas entortou a boca num sorriso.
— Amy, dê-me a tequila. –pediu a brasileira que, prontamente, obedeceu. Com os olhos a brilhar em desafio, o homem de cabelos cinza aproximou-se da portuguesa avermelhada e, sem nada dizer, alcançou a barra de sua camisa larga e puxou-a para cima.
Lá estava ela. Quase nua do tronco para cima, com o maldito assassino em seu corpo.
Para piorar a situação, Johnny retirou a tampa da garrafa com os dentes. Jess, que usualmente suspirava por ele, sentiu o útero explodir.
Patrícia, que tinha a atenção toda ao homem, pensou que iria desmaiar.
Seus cabelos sem cor, bagunçados sobre o rosto fino e animalesco, causavam-no uma expressão selvagem irresistível. Era aquela seriedade absurda que a tirava o fôlego. Eram aquelas pérolas verdes intensas que tinha no lugar os olhos.
Eram aquelas mãos grandes.
E os lábios vermelhos, finos de longe, carnudos de perto.
Era aquele nariz arrebitado.
Do I wanna know... –cantarolou ele, despejando a tequila sobre sua clavícula exposta. A bebida escorreu entre seu decote, fazendo-a franzir o rosto em ansiedade. A língua quente e úmida do homem dançou sobre sua pele como o fogo de um dragão perigoso. Toda a sala estava a observar atônita. O jogo estava se tornando sujo.
— Puta que pariu! –rosnou a portuguesa, extasiada.
Johnny arqueou a cabeça, lambendo os lábios molhados pela tequila.
Até mesmo a pobre Charlie se sentiu excitada pela imagem.
Amy, sentada bem próxima, ponderou uma orgia com ele.
Thomas e Peter haviam fechado os olhos.
Hans tossiu propositalmente.
— Próxima pergunta! –gritou ele.
Patrícia então voltou a terra. A pobre ruiva estava se sentindo como se haviam a chutado para fora do planeta.
— Sua camisola. –Johnny devolveu-a, como se nada tivesse acontecido.
— PORRA! –Patrícia deixou-se decair.
A garrafa que Hans girara voltara a alcançar Charlie. A morena, que estava abestalhada pela imagem de Nik ensopado pela bebida, apenas piscou sequencialmente. Hans, rindo à toa, retirou o papel sorteado.
DESAFIO.
Charlie se contorceu.
— Seja caridoso comigo, por favor. –pediu ela.
— Claro. Desafio-a te sentar no colo do italiano, deixá-lo te tocar e, ao fim, beijá-lo. De língua.
Charlie desfaleceu internamente. Thomas, sabendo bem que após beijar Amy não tinha moral para rebater, esgueirou-se com feição de ódio e alcançou a vodka. Precisava beber para não matar o maldito homem.
— Somos adultos. –disse Charlie, para si mesma.
Jay encarou Hiddleston com malícia. Era como se dissesse ‘agora é a hora de vingança’. Amy, no entanto, ébria pelo álcool, apenas sorriu com a imagem do marido desejando a outra. Sexo era algo aberto entre eles.
Charlie hesitou, mas caminhou até o homem. Pousou cada joelho ao redor de seu quadril e se sentou lentamente em seu colo, acomodando-se sem jeito. Sentiu seu corpo rígido e seus braços largos. Sentiu até mesmo seu tronco forte. Para uma garota que só havia feito sexo com um homem, Tom, agarrar-se ao corpo de outro era tarefa difícil.
Mas lá estava o par de olhos de cobra dele. Azuis límpidos.
Ela sem querer se sentiu molhada.
— Você se parece com o Neal Caffrey... –murmurou ela, lembrando-se do gostoso golpista de White Collar.
Jay sorriu torto. Arrastou as costas de suas mãos por seu rosto, fitando o rosto jovem da garota como se quisesse desenhá-lo mentalmente. Hiddleston tem bom gosto. Pensou ele.
Então, o desafio cumpriu-se. Ele deslizou suas mãos pelas coxas expostas de Charlie que, involuntariamente, se arrepiou. Com ousadia, ele vagou seu traseiro e subiu-lhe as costas, alcançando seus cabelos. Puxou-os com firmeza. Ela soltou um baixo gemido. E, então, beijou-a.
— Próxima pergunta! –gritou Thomas, desesperado. Amy gargalhou.
Charlie correu de volta ao lugar desconcertada. Thomas, possesso, agarrou-a pela cintura e mostrou ao italiano a quem ela pertencia. Ele, em resposta, mergulhou a mão entre as pernas de Amy, que solavancou um susto.
— Eu acho que está em tempo de acabarmos isto. –Pati aprontou-se, observando a índole dos dois homens.
— Eu posso sugerir um último desafio? –Jess perguntou.
— Vá em frente. –russo mandou-a.
— Desafio você a dormir com Pati hoje. –disse a pequena garota.
— UUUUUH! –foi unânime. Todos os moradores gritaram em conjunto.
Patrícia engasgou-se com a própria saliva.
Hans, este gargalhando por não ter sido atingido pelos desafios, se levantou.
— Vamos, amigos. Deixaremos os dois a sós para discutirem o futuro da noite. –falou ele, comovendo os demais colegas a saírem.
Abandonando Pati e Johnny com seus rostos espantados, eles saíram.
Johnny sentia o prazer de negar e ir para seu quarto sozinho, mas após lamber a tequila de sua pele, algo em seu interior o ameaçava.
Cientificamente falando, a endorfina liberada somente em suas missões, se transferiu para aquele maldito jogo. E após tanto camuflar seu interesse pelo perfume da portuguesa, acabou caindo na armadilha de cheirá-lo tão próximo.
A ciência o traíra.
Agora lá estava ele.
Excitado.
E Pati, sem saber, mordia os lábios em nervosismo.
E Luchnik achava aquilo atraente.
Pati, observando o russo a observá-la com atenção, sentiu-se acalentada. Pensou em trocar suas calcinhas.
Excitada também.

Que os jogos comecem. 



1 comentários:

  1. OMG !!! Eu continuo sem saber se estou viva ou morta !!
    Porra !!

    primeiro que tudo ... Como é que acabas assim o capitulo ?? Onde está o teu amor pela minha saúde mental ??? Russo comeu-o foi ?? T.T

    A maneira como tu me descreves chega a ser assustadora, porque eu sou tão assim !!! *O* E eu fico tão orgulhosa e de coração quente por isso <3
    ~ abraço de urso~ Não ou soltar mesmo !!

    E puta que pariu eu beijei mesmo o russo !! *O*
    E God o que foi isso que eles me fez ?? Eu por dentro estava aos gritos !
    Aquela bunda gostosa ! ~ aperta de novo~

    Thomas vai acabar por dar em louco! Ter de conviver com o italiano, ter de se confrontar novamente com a Amélia, ver o italiano a flertar com a sua Charlie e ainda a ver cair nas graças dele e beija-lo ... Ele vai chegar a cama esconder-se debaixo dela e chorar como uma criança com medo de monstros !

    Charlie a acusar a Amy de nos roubar dela. Nós te amamos doida <3
    E ela vai aprender o que é viver eternamente com tensão sexual por alguem ahahahah

    Jess sempre a mesmo doida <3 Como amo a espontaneidade dela *O*
    E a relação dela com o Peter e tão lindaa *O*
    Sortuda por aquela dança sensual ~ baba~

    Amy e Jaime são sempre os mesmos <3 sempre me surpreendem. Gosto de os ver juntos ahahah

    Hans meu querido não te escapas de um aperto nessa bunda !!! VAIS-TE ARREPENDER !!!

    Tu não tens a noção do quanto eu te agradeço demais por este carinho *O* Por ver a maneira como continuas a dedicar-te as tuas personagens e por me deixares ser uma das tuas personagens e meu deus, eu fico louca de vontade de te abraçar por tudo isto !
    Eu prometo que um dia me irei redimir com tudo o que fizes-te por mim !
    Isto é quase como um analgésico nos dias maus <3

    Não há palavras que cheguem para te agradecer tudo isto e espero não te desiludir com o que tenho para te dar <3

    Amo-te demais minha doida <3

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